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quinta-feira, outubro 15, 2026

Professores aposentados continuam em sala de aula e dão lições sobre o educar

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Professor em seu ambiente de ensino, usando tecnologia para manter a paixão de lecionar viva (Foto: Instagram)

Mesmo após a aposentadoria, muitos professores optam por seguir em atividade na sala de aula, movidos pela paixão de ensinar, pelo vínculo com os alunos e pela busca incessante de novos aprendizados. Apesar do desgaste físico, da desvalorização profissional e da necessidade de complementar a renda, esses educadores encontram propósito ao formar gerações futuras e recebem incentivo no reconhecimento de ex-alunos. Na era da inteligência artificial, a tecnologia funciona como estímulo para atualização constante, e não como obstáculo.

Denise Rampazzo, de 63 anos, doutora em Educação, leciona no curso de Pedagogia do Instituto Singularidades, em São Paulo. Ela já atuou também com turmas de 6º e 7º anos, faixa etária entre 10 e 12 anos. “Educar é formar pessoas, ajudá-las a se relacionar respeitosamente e a tomar decisões conscientes”, afirma. Para Denise, contribuir efetivamente na construção de trajetórias melhores mantém vivo seu desejo de permanecer ativa.

O físico Ronaldo Carrilho, de 65 anos, acumula mais de quatro décadas na rede escolar e hoje exerce o cargo de gerente pedagógico no Curso Anglo da Consolação, em São Paulo. Ao ministrar suas aulas sobre óptica, termofísica e ondulatória, ele compara o momento com um concerto: “O repertório é o mesmo, mas cada grupo de alunos torna a experiência única”. A interação com cada turma e a emoção de vê-los se interessar pelos conteúdos renovam seu entusiasmo.

Para Carlos Alberto De Simone, de 62 anos, o prazer de ver projetos surgindo do zero é um dos maiores motivadores. Ex-atleta de handebol e coordenador de Educação Física no Colégio Bandeirantes, na Vila Mariana, ele implantou, em 1992, equipes esportivas que hoje competem em diversas modalidades, do 6º ano do Fundamental II até o 3º ano do Ensino Médio. “Saber que o que construímos há 30 anos se mantém ativo me faz querer continuar contribuindo”, conta.

A busca por aprendizado constante é outra força para não se aposentar de vez. Regilaine Moraes, de 56 anos, professora de Ensino Fundamental I no Colégio Ábaco, em São Bernardo do Campo, afirma que planeja dinâmicas que disputem a atenção dos alunos com jogos eletrônicos e a internet. Monika Kuszka, de 65 anos, que ensina História no Colégio Móbile, destaca o desafio de incorporar a inteligência artificial às aulas. “Quero entender como essa ferramenta funciona para usá-la de forma eficiente”, diz.

Apesar do entusiasmo, alguns educadores já projetam o descanso definitivo. Marcos Montagnoli, de 76 anos, professor de alemão no Colégio Rio Branco, em Campinas, pretende aproveitar mais tempo com o primeiro neto, cujo nascimento está previsto para novembro. Aposentado desde os 65, ele segue lecionando e admite que “a idade pede tréguas”. No entanto, enquanto estiver com saúde e disposição, o desejo de ensinar e aprender segue mais forte do que a aposentadoria.

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