
Lula no estúdio durante sabatina presidencial ao lado de jornalistas (Foto: Instagram)
Na reta final para o segundo turno das eleições presidenciais, a Globo retoma hoje, 15 de outubro de 2026, a série de sabatinas com os candidatos. O primeiro a ser entrevistado será o ex-presidente Lula, do PT, em bloco transmitido logo após o Jornal Nacional. Na semana passada, o candidato adversário Flávio Bolsonaro (PL) teve sua vez; agora chega a hora de Lula responder a questionamentos sobre corrupção, propostas e sua trajetória política.
A última vez em que Lula participou de uma sabatina na emissora foi em 27 de agosto, conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli. Logo no início, ele foi indagado sobre as investigações que envolvem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, alvo de três inquéritos da Polícia Federal. “Vai ter que provar a inocência”, reagiu o petista, afirmando que qualquer acusação precisa ser comprovada em juízo.
A entrevista daquele dia ganhou contornos acalorados ao tratar de temas como benefícios do INSS, empréstimo Master, dívida pública e situação das estatais. Em diversos momentos, Lula evocou sua condição de vítima da Operação Lava Jato e acusou a imprensa de “comprar uma mentira, vendê-la e jamais reconhecer o erro”. Em resposta, a bancada da Globo defendeu que o jornalismo da casa apenas cumpriu seu papel de reportar fatos.
Outro ponto de tensão veio quando a jornalista Renata Vasconcellos questionou Lula sobre a elevação da dívida pública. O petista questionou a forma da pergunta: “Renata, eu pensei que uma jornalista da tua qualidade pudesse iniciar de outra maneira”, declarou, antes de falar do superávit primário registrado em seus mandatos. A fala reforçou o tom combativo e a estratégia de enfatizar resultados econômicos de gestões anteriores.
Relembre trechos marcantes da sabatina de agosto:
“Não sou do Ministério Público. Não sou delegado, não sou juiz. Sou Presidente da República e pai do Fábio. Se ele cometeu qualquer ilícito, terá de pagar como qualquer cidadão.”
“As pessoas são inocentes até que se prove o contrário […] Se alguém cometeu desvio, pagará o preço pelo erro cometido.”
“Nunca tive problema fiscal nesse país. O Brasil está com a dívida alta porque esteve mais de dez anos sem crescer.”
Antes de ser eleito para seu terceiro mandato, em 2022, Lula também respondeu perguntas da Globo em clima menos conflituoso. Na ocasião, já criticava a cobertura da Lava Jato e listava avanços em transparência: Portal da Transparência, CGU, Lei de Acesso à Informação e Lei Anticorrupção. Reconheceu desvios na Petrobras, mas chamou de “oficialização do roubo” as delações premiadas e chegou a brincar que poderia impor sigilo de 100 anos.
Apesar de ter revogado sigilos de sua gestão anterior, o atual governo registrou mais de mil recusas de pedidos pela Lei de Acesso à Informação em 2023, justificadas pela proteção de dados pessoais. O efeito prático foi estender prazos e manter sigilo sobre a agenda de Janja da Silva e comunicações diplomáticas envolvendo o ex-jogador Robinho. Em recente participação no podcast Inteligência Ltda., Lula defendeu-se “radicalmente contra” a prática, afirmando que decisões dessa natureza cabem a órgãos responsáveis dentro da estrutura estatal.



