
Lula e Flávio Bolsonaro intensificam estratégias no segundo turno (Foto: Instagram)
No segundo turno da eleição presidencial, as campanhas de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) seguem caminhos opostos diante de pesquisas que apontam empate técnico. Com déficit de quase dois pontos em relação ao adversário, Lula voltará seus esforços para mobilizar militantes nas ruas, intensificar a presença nas redes sociais e anunciar novas medidas de governo para conquistar indecisos. Já Flávio, que liderou a primeira etapa, dedicou-se a consolidar apoios de caciques do Centrão e de presidenciáveis derrotados, mas revisita agora sua tática após críticas internas por uma postura reativa.
Após o primeiro turno, a campanha petista reconheceu falhas iniciais e tem promovido eventos de contato direto, como caminhadas e comícios abertos, em substituição a reuniões fechadas e agendas mais reservadas. Em pouco menos de dez dias, Lula participou de manifestações em Natal, Ceilândia e São Paulo, inclusive na Avenida Paulista, atraindo milhares de apoiadores. Paralelamente, grupos de militância realizaram mais de cem atos em cidades governadas pelo bolsonarismo, como Curitiba e Florianópolis, reforçando a narrativa de uma base energizada.
Na esfera digital, a estratégia lulista combina vídeos descontraídos para atrair jovens com críticas diretas a Flávio. Em uma das peças, o ex-presidente aparece segurando uma caixa de som, enfatizando sua proximidade com o público. Em outras, ele alerta para riscos de cortes em programas sociais e para a entrega do país a facções criminosas caso o rival vença. O Planalto também intensificou anúncios de benefícios, como subsídios para combustíveis, ampliação do programa Pé-de-Meia para universitários, desonerações fiscais e até um repasse de R$ 5 mil para microempreendedores, custos que somam R$ 25,8 bilhões até 2027.
Enquanto isso, a campanha de Flávio Bolsonaro priorizou reuniões com lideranças políticas e coalisões partidárias. Desde o primeiro turno, o senador recebeu apoio de partidos como União Brasil, Progressistas, Podemos, Republicanos e Novo, além de lideranças como Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), que juntos representam mais de 5% dos votos válidos de 4 de outubro. A agenda incluiu encontros fechados com prefeitos, vereadores e evangélicos no Rio, em São Paulo e em Brasília, e eventos isolados como motociata em São Gonçalo e comício em Porto Alegre.
Sob pressão por críticas do próprio campo, que classificou sua tática como “campanha de ar-condicionado”, Flávio anunciou mudanças: promoverá um ato na Avenida Paulista no dia 18 de outubro e decidiu participar do debate na Band, contrariando declaração inicial de ausência. O senador busca agora equilibrar a consolidação de apoios nos bastidores com uma atuação mais visível junto ao eleitorado, visando enfrentar a ofensiva lulista nas ruas e no ambiente virtual.
A disputa digital também permanece acirrada. O canal “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado André Janones, já soma mais de 4 milhões de membros no WhatsApp, enquanto o “Tropa do Flávio”, criado em 6 de outubro, registra 1,7 milhão. Houve intervenção do TSE para suspender temporariamente o grupo petista, por decisão de Kassio Nunes Marques, seguida de reverter o bloqueio e nova ordem de remoção, até o retorno do canal. A mobilização virtual reflete a importância de influenciar indecisos e ajustar o embate final, previsto para 30 de outubro.



