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segunda-feira, outubro 26, 2026

Desenganado pelos médicos, homem estuda a própria doença e consegue salvar sua vida

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O médico norte-americano David Fajgenbaum conseguiu controlar uma doença rara depois de investigar seus próprios exames e identificar uma possível alternativa de tratamento. Diagnosticado em 2010 com a doença de Castleman, enquanto estudava Medicina, ele enfrentou sucessivas internações e sessões de quimioterapia. Em 2013, diante da gravidade de seu quadro, chegou a ser orientado a preparar um testamento, mas decidiu aprofundar as pesquisas sobre a condição que ameaçava sua vida.

A doença de Castleman é um distúrbio que afeta os linfonodos, estruturas do sistema linfático que participam da defesa do organismo. Em suas formas multicêntricas, pode provocar uma resposta inflamatória intensa e comprometer o funcionamento de diferentes órgãos. A condição é considerada rara e seu tratamento depende das características de cada paciente.

No caso de Fajgenbaum, os medicamentos utilizados inicialmente não conseguiram impedir novas crises. Durante os períodos de agravamento, ele chegou a ficar acamado e enfrentou situações em que sua sobrevivência era considerada incerta.

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Foi nesse contexto que o médico começou a reunir informações de seus próprios prontuários. Ao comparar resultados de exames realizados durante diferentes fases da doença, percebeu alterações que poderiam ajudar a explicar o comportamento de seu organismo.

Entre os dados analisados estava o nível do fator de crescimento endotelial vascular, conhecido pela sigla VEGF. Segundo seu relato, a concentração dessa proteína chegou a ficar aproximadamente dez vezes acima dos valores normais.

A descoberta levou Fajgenbaum a investigar os mecanismos envolvidos na doença. Com base em seus conhecimentos médicos e nas pesquisas disponíveis, ele passou a considerar a possibilidade de utilizar um medicamento já existente para interferir na atividade do sistema imunológico.

A alternativa encontrada foi a sirolima, também conhecida como rapamicina, um imunossupressor utilizado em outras situações clínicas. O medicamento não havia sido desenvolvido especificamente para tratar a doença de Castleman, mas sua ação sobre determinadas vias celulares despertou o interesse do médico.

Após discutir a possibilidade com especialistas, Fajgenbaum iniciou o tratamento. A resposta permitiu controlar a doença, que havia continuado a se manifestar apesar das terapias anteriores.

A experiência também mudou os rumos de sua carreira. Ele passou a dedicar parte de seu trabalho à investigação da doença de Castleman e à busca por tratamentos capazes de beneficiar outros pacientes que enfrentavam dificuldades semelhantes.

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Na Universidade da Pensilvânia, Fajgenbaum desenvolveu atividades de pesquisa e participou da criação da Castleman Disease Collaborative Network, uma rede que reúne médicos, pesquisadores e pacientes para ampliar o conhecimento sobre a condição.

Sua trajetória foi relatada no livro Chasing My Cure, no qual apresenta os desafios enfrentados durante o tratamento e o processo de investigação que o levou a encontrar uma alternativa terapêutica.

Anos depois das crises que ameaçaram sua vida, Fajgenbaum continuou utilizando o medicamento que ajudou a controlar sua condição. Ele também construiu uma família, casou-se e se tornou pai de dois filhos.

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