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sexta-feira, outubro 30, 2026

Criança paraplégica de 9 anos apresenta sinais de recuperação após cirurgia inédita na coluna

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Uma criança de 9 anos que estava paraplégica apresentou os primeiros sinais de recuperação neurológica após passar por uma cirurgia inédita no Hospital Infantil Joana de Gusmão (HIJG), em Florianópolis, Santa Catarina. O procedimento, realizado em duas etapas, utilizou tecnologia de neuronavegação e modelagem tridimensional para corrigir uma compressão na medula espinhal que a paciente apresentava desde o nascimento.

A melhora foi identificada ainda no período pós-operatório, quando a equipe médica observou avanços na sensibilidade e diminuição da espasticidade, condição caracterizada pelo aumento involuntário da rigidez muscular. Apesar dos resultados iniciais, os especialistas ressaltam que ainda é cedo para determinar o alcance da recuperação.
Em entrevista ao ND Mais, o chefe do Serviço de Ortopedia Pediátrica do hospital, André Luis Fernandes Andújar, explicou que a complexidade do caso exigiu uma intervenção especializada.

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“O caso exigiu um procedimento de extrema complexidade. Ela [criança] apresentava compressão da medula desde o nascimento. Para nossa surpresa, além da correção obtida durante a cirurgia, a paciente já demonstra sinais iniciais de recuperação, com melhora da sensibilidade e redução do quadro de espasticidade. O estado neurológico vem evoluindo de forma positiva. Ainda estamos em um período precoce, mas os avanços observados até o momento nos trazem grande expectativa para o longo prazo”, afirmou.

A menina nasceu com uma displasia esquelética rara, responsável por provocar deformidades graves na coluna vertebral e comprometer funções neurológicas e respiratórias. Como não recebeu tratamento especializado durante os primeiros anos de vida, desenvolveu compressão da medula em diferentes níveis, o que resultou em paraplegia, perda de sensibilidade nas pernas e dificuldades para respirar e se alimentar.
Após a mudança da família para Santa Catarina, a paciente foi encaminhada ao Hospital Infantil Joana de Gusmão. Na unidade, passou por avaliações médicas até a realização da cirurgia.

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Para corrigir o problema, os profissionais utilizaram um sistema de neuronavegação, tecnologia que funciona de maneira semelhante a um GPS e auxilia os cirurgiões durante a operação. O recurso foi associado à modelagem em 3D da coluna vertebral, permitindo maior precisão na intervenção.

A complexidade e a raridade da técnica também atraíram a atenção de especialistas de outros estados brasileiros e de países vizinhos, que acompanharam o procedimento.
O ortopedista pediátrico e cirurgião de coluna Rodrigo Grandini destacou os benefícios da tecnologia para a segurança da paciente e para a realização da cirurgia.

“Essa tecnologia trouxe mais segurança e agilidade, com redução do tempo cirúrgico e melhorando as condições clínicas no pós-operatório. Com essa técnica, há diminuição de riscos e de complicações; além disso, é algo que proporciona benefícios para o paciente, mais qualidade de vida, e gera economia de custos para o sistema de saúde”, explicou.

Com a conclusão da intervenção, a criança continuará sendo acompanhada pelo serviço de ortopedia pediátrica do hospital. Ela também realizará sessões de fisioterapia no município onde mora, com foco na reabilitação e no estímulo à recuperação neurológica.
A equipe médica acompanhará a evolução da paciente ao longo dos próximos meses para avaliar os resultados do tratamento.

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