20 C
São Paulo
quinta-feira, outubro 29, 2026

Tia de 63 anos gera bebê para sobrinha que nasceu sem útero e emociona

Leia mais

Mary Ellen Marques, de 35 anos, realizou o sonho de ser mãe após sua tia, Maria Ambrozia, de 63, se oferecer para gestar seu primeiro filho por meio de uma barriga solidária. Moradora de Itapetininga, no interior de São Paulo, a técnica em radiologia nasceu sem útero devido a uma condição rara e precisou recorrer à Justiça para conseguir autorização para o procedimento. Samuel nasceu no dia 27 de fevereiro, após uma gestação acompanhada por médicos devido à idade da tia.

Em entrevista à revista Crescer, Mary Ellen contou que descobriu, aos 19 anos, que tinha síndrome de Rokitansky, uma malformação congênita caracterizada pela ausência ou pelo desenvolvimento incompleto do útero. O diagnóstico fez com que acreditasse que não poderia ter um filho biológico. “Na época, foi bem difícil. Eu questionava por que aquela situação acontecia justamente comigo. Com esse diagnóstico, eu sabia que seria impossível gerar um filho”, relatou.

A possibilidade de recorrer à barriga solidária surgiu anos depois, quando Mary Ellen encontrou nas redes sociais o relato de uma mulher com a mesma condição que havia conseguido se tornar mãe. Após conhecer a história, ela procurou informações sobre o tratamento e decidiu realizá-lo em uma clínica de Goiânia.

++ Empresa do jato que levou Flávio Bolsonaro aos EUA é ligada a esquema na Argentina

Foi então que Maria Ambrozia, esposa do irmão do pai de Mary Ellen, se ofereceu para carregar o bebê. As duas mantêm uma relação próxima desde a infância da sobrinha, quando a tia ajudou a cuidar dela para que sua mãe pudesse trabalhar.

A idade de Maria, no entanto, representava um obstáculo para a realização do procedimento. A família precisou buscar autorização judicial e apresentar documentos que comprovassem suas condições físicas e mentais. Após a liberação, ela passou por avaliações médicas, especialmente do coração e do útero.

Apesar de a tia já ter tido três filhos por parto normal, sua última gestação havia ocorrido cerca de 42 anos antes. Mary Ellen contou que uma de suas maiores preocupações era a possibilidade de alguma complicação durante a gravidez. “Se acontecesse algo com a minha tia, eu carregaria essa culpa pelo resto da minha vida”, afirmou.

A transferência do embrião foi realizada e, sete dias depois, a gravidez foi confirmada na primeira tentativa. Durante a gestação, Maria precisou seguir uma rotina de medicamentos, exames e consultas frequentes, contando com o apoio da sobrinha e da filha Kelly. “Eu costumo dizer que a tia gerou o Samuel com tanto amor, que parece que oito meses passaram em três, de tão rápido. O mais incrível foi ver o amor dela nesse período. Ela nunca reclamou de nada, ela só sorria, só agradecia a bênção”, relembrou Mary Ellen.

O parto estava previsto para a 38ª semana, mas precisou ser antecipado depois que Maria desenvolveu hipertensão na reta final da gravidez. Diante do risco de pré-eclâmpsia, os médicos decidiram realizar o nascimento com 36 semanas.

++ Carta de Flávio Bolsonaro teve três versões, erro no brasão e autoproclamação

Samuel nasceu pesando 2,502 quilos e não precisou de internação em uma unidade de terapia intensiva neonatal (UTI). Maria também apresentou boa recuperação após o parto.

No centro cirúrgico, Mary Ellen recebeu o filho nos braços pela primeira vez e fez questão de levá-lo imediatamente até a tia, que havia participado de todo o processo. “Foi a melhor sensação da minha vida. No vídeo durante o parto, eu pego Samuel no colo e começo a glorificar a Deus pela bênção recebida. Deus estava ali no centro cirúrgico, todo mundo chorou, foi muito emocionante. Peguei Samuel no colo e corri mostrar para tia Maria, nada mais justo que ela vê-lo junto comigo e meu esposo, logo após o nascimento”, contou.

Na época da entrevista, Samuel estava com 8 meses, e Maria mantinha uma relação próxima com o menino, ocupando o lugar de avó na família. Mary Ellen afirmou que pretende contar ao filho a história de seu nascimento e reconheceu que, apesar de ter realizado o sonho da maternidade, não repetiria o procedimento. “Se eu não tivesse o Samuel, eu tentaria com todas as minhas forças, até quando Deus permitisse, mas não passaria pelo processo da barriga solidária novamente para ter outro filho. Não é fácil”, declarou.

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias