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quarta-feira, setembro 16, 2026

Curtidas nas redes sociais podem impactar mais pessoas com depressão, aponta estudo

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As curtidas nas redes sociais podem exercer um impacto maior sobre pessoas com depressão do que se imaginava. Um estudo publicado na revista científica JAMA Psychiatry identificou que usuários com sintomas depressivos tendem a publicar com mais frequência após receberem um número maior de curtidas, sugerindo que esse tipo de interação pode funcionar como uma recompensa social mais significativa para esse grupo.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, em parceria com o Trinity College Dublin, na Irlanda. Os pesquisadores analisaram milhões de publicações feitas na plataforma X (antigo Twitter) para entender se a quantidade de curtidas recebidas influenciava o comportamento dos usuários nos dias seguintes.

Aprovação digital incentiva novas publicações

Os resultados mostraram que pessoas com depressão apresentaram maior tendência a voltar a publicar depois de receberem mais curtidas. Para os autores, cada postagem pode ser entendida como um comportamento reforçado pela resposta obtida na plataforma.

O achado chamou atenção porque contrasta com estudos realizados em laboratório, nos quais indivíduos com depressão costumam demonstrar menor sensibilidade a recompensas tradicionais, como dinheiro ou pontuações em testes.

Segundo os pesquisadores, a diferença pode estar no valor emocional da interação social proporcionada pelas curtidas, que representam reconhecimento e conexão entre usuários.

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Análise reuniu mais de 17 milhões de publicações

Para verificar se o comportamento se repetia em diferentes grupos, os cientistas analisaram três grandes bases de dados da plataforma, totalizando mais de 17 milhões de postagens.

O maior conjunto reuniu pouco mais de mil usuários que haviam informado ter diagnóstico de depressão e cerca de cinco mil contas selecionadas aleatoriamente. Outros participantes responderam questionários sobre sua saúde mental.

Entre as principais conclusões estão:

  • Pessoas com depressão mostraram maior influência das curtidas sobre a frequência de novas publicações;
  • O padrão foi observado nas três bases de dados analisadas;
  • Compartilhamentos (retweets) não apresentaram o mesmo efeito das curtidas;
  • A aprovação direta de outros usuários parece ter maior peso do que simplesmente ampliar o alcance das publicações.

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Relação entre redes sociais e saúde mental ainda não está esclarecida

Os pesquisadores também identificaram diferenças entre perfis de usuários. Um dos grupos apresentou maior sensibilidade às curtidas, característica associada ao quadro conhecido como depressão ansiosa, que combina sintomas de tristeza persistente, apatia e ansiedade.

Já outro grupo manteve um padrão de publicações praticamente constante, independentemente da quantidade de interações recebidas, comportamento relacionado a hábitos repetitivos e pensamentos recorrentes.

Apesar dos resultados, os autores ressaltam que o estudo não permite afirmar uma relação de causa e efeito. Ainda não é possível determinar se a busca por curtidas intensifica sintomas depressivos ou se a própria depressão faz com que essas recompensas sociais tenham maior importância para determinados usuários.

A pesquisa amplia o debate sobre os efeitos das redes sociais na saúde mental e indica que o impacto das plataformas pode variar de acordo com as características psicológicas de cada indivíduo, reforçando a necessidade de novos estudos sobre o tema.

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