Pesquisadores da Academia Chinesa de Tecnologia de Veículos Lançadores (China Academy of Launch Vehicle Technology) apresentaram uma nova estratégia para proteger a Terra de possíveis impactos de grandes asteroides. O estudo propõe o uso de dispositivos nucleares instalados no interior desses corpos celestes como forma de alterar sua trajetória ou até destruí-los antes de uma colisão.
A pesquisa, publicada na revista científica Space: Science and Technology, analisou diferentes métodos para lidar com asteroides com mais de 100 metros de diâmetro e simulou cenários em que a humanidade teria entre um e 20 anos de antecedência para responder à ameaça.
Os cientistas compararam duas abordagens principais. A primeira consiste em abrir uma pequena cavidade na superfície do asteroide e detonar um dispositivo nuclear nesse ponto. Já a segunda prevê uma etapa adicional: perfurar o interior da rocha espacial antes da explosão, permitindo que a energia seja liberada em maior profundidade.
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Segundo os resultados das simulações, a segunda estratégia apresentou desempenho superior por aproveitar melhor a energia da detonação. A explosão interna seria capaz de transferir mais força para o asteroide, aumentando as chances de modificar sua rota ou fragmentá-lo.
Os testes também levaram em consideração fatores como a potência dos foguetes de lançamento, a velocidade de aproximação, o tempo disponível para a missão e o tamanho dos objetos monitorados.
De acordo com os pesquisadores, a técnica de detonação em profundidade teria potencial para destruir asteroides próximos de 100 metros de diâmetro ou alterar a trajetória de corpos com até cerca de um quilômetro de extensão, desde que haja tempo suficiente para que uma pequena mudança de velocidade produza efeito antes da possível colisão com a Terra.
Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que a proposta ainda enfrenta desafios significativos para sair do papel. Entre eles estão a dificuldade de transportar e operar dispositivos nucleares no espaço, o desenvolvimento de equipamentos capazes de perfurar a superfície dos asteroides e a necessidade de conhecer previamente a composição de cada objeto.
Os cientistas alertam que nem todos os asteroides possuem a mesma estrutura. Enquanto alguns são blocos rochosos compactos, outros são formados por fragmentos mantidos unidos apenas pela gravidade. Essa diferença pode alterar completamente a eficiência de qualquer estratégia de desvio.
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Outro risco apontado pela pesquisa é que uma explosão mal planejada poderia gerar diversos fragmentos, criando novos objetos potencialmente perigosos para o planeta.
O estudo também faz uma comparação com a missão DART, realizada pela NASA em 2022, que conseguiu alterar a órbita de um pequeno asteroide por meio do impacto de uma espaçonave. Segundo os pesquisadores chineses, embora o experimento tenha demonstrado a viabilidade da defesa planetária, métodos baseados apenas em impacto cinético podem não ser suficientes para lidar com asteroides muito maiores.
Os autores concluem que a escolha da estratégia dependerá principalmente do tempo disponível para reação. Em situações de curto prazo, soluções mais simples podem ser a única alternativa viável. Já quando houver anos de antecedência, a perfuração seguida de uma detonação em profundidade tende a oferecer melhores resultados para evitar uma colisão de grandes proporções.
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