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sábado, outubro 17, 2026

Estudo aponta que poluição do ar no início da vida pode aumentar risco de obesidade infantil

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A exposição à poluição do ar nos primeiros meses de vida pode influenciar o desenvolvimento de obesidade infantil, segundo um estudo publicado recentemente na revista científica Communications Medicine. Os pesquisadores identificaram uma relação entre a presença de partículas finas na atmosfera e alterações em funções cerebrais ligadas ao controle dos impulsos.

A pesquisa analisou os efeitos da chamada matéria particulada PM2,5, formada por partículas microscópicas liberadas principalmente durante a queima de combustíveis fósseis, como gasolina, diesel, lenha e carvão. De acordo com os cientistas, a exposição a esse poluente durante o primeiro ano de vida esteve associada a uma maior dificuldade de autocontrole na infância, fator que pode favorecer comportamentos alimentares compulsivos e, consequentemente, aumentar o risco de obesidade.

Segundo Jamil Lane, pesquisador da Icahn School of Medicine at Mount Sinai e um dos autores do estudo, fatores ambientais também devem ser considerados nas estratégias de prevenção da obesidade infantil.

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“Muitas das pesquisas sobre obesidade se concentram principalmente na dieta e na atividade física da criança, mas exposições ambientais, como a poluição do ar, também podem desempenhar um papel importante”, afirmou.

Para chegar às conclusões, os pesquisadores acompanharam 434 crianças nascidas, em sua maioria, entre 2007 e 2008, na Cidade do México. Durante o estudo, foram estimados os níveis de exposição ao PM2,5 desde a gestação até o primeiro ano de vida de cada participante.

Os resultados mostraram que as crianças expostas às maiores concentrações do poluente apresentaram níveis mais elevados de impulsividade e déficits mais significativos no chamado controle inibitório — habilidade responsável por controlar comportamentos automáticos e resistir a impulsos.

Especialistas avaliam que os resultados são consistentes, embora defendam novos estudos para confirmar a relação em diferentes populações. A pesquisadora brasileira Cecilia Moura, especialista em transporte limpo da Union of Concerned Scientists, destacou que as evidências já reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à redução da exposição às partículas finas.

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Além da possível associação com a obesidade, o PM2,5 já é reconhecido por seus impactos na saúde. Por serem extremamente pequenas, essas partículas conseguem penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea, estando relacionadas ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, problemas respiratórios, acidentes vasculares cerebrais, demência e alguns tipos de câncer.

Embora o estudo tenha sido realizado com um grupo específico de crianças, os autores afirmam que os resultados reforçam a importância de reduzir a exposição de gestantes e bebês a ambientes com altos níveis de poluição atmosférica, especialmente nos primeiros anos de vida, período considerado fundamental para o desenvolvimento do organismo.

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