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quinta-feira, agosto 20, 2026

O FBI construiu uma cidade inteira para simular ataques hackers

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À primeira vista, parece uma cidade americana comum: casas mobiliadas, hotel, supermercado, hospital, tribunal, posto de gasolina e até uma empresa de energia. Mas nenhum morador vive ali — e quando o cotidiano tranquilo é interrompido, é porque um ataque hacker está prestes a começar.

A instalação se chama Kinetic Cyber Range e fica dentro do campus do FBI em Huntsville, no Alabama. Inaugurada em fevereiro de 2025, ocupa cerca de 2.044 metros quadrados e funciona como um laboratório de guerra digital em escala real — desenhado especificamente para treinar agentes federais e parceiros de outras agências a responder a ciberataques em condições que imitam, ao máximo, o mundo real.

Mais de 1.400 pessoas já passaram pelos exercícios na cidade simulada. O foco principal é o ransomware — tipo de ataque que sequestra sistemas inteiros e exige pagamento para liberá-los —, além de outras ameaças capazes de paralisar serviços essenciais como energia elétrica, hospitais e infraestrutura pública. A ideia central é treinar para o pior cenário possível antes que ele aconteça de verdade.

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No coração da cidade simulada há um data center equipado com mais de 200 servidores físicos rodando sistemas operacionais como Windows e Linux, reproduzindo ambientes comuns em empresas reais. O agente Dave Beachboard, responsável pelo programa, não economiza nas palavras para descrever o ambiente: “São frios, apertados, barulhentos, escuros e miseráveis.” A descrição é intencional — o desconforto físico faz parte do treinamento, que é tanto técnico quanto psicológico.

Além das simulações de ataque, o espaço também é usado para treinar perícia digital, técnica que permite acessar dados em dispositivos criptografados durante investigações criminais. Essa área específica carrega controvérsia: as ferramentas utilizadas frequentemente exploram brechas de segurança desconhecidas pelos próprios fabricantes de dispositivos, como Apple e Google — o que levanta debates sobre privacidade e os limites do acesso governamental a dados pessoais.

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O investimento tem contexto. O relatório de Crimes na Internet de 2025 do FBI aponta que os prejuízos causados por crimes cibernéticos nos Estados Unidos superaram US$ 20,9 bilhões no ano passado — alta de 26% em relação ao período anterior. Com ataques cada vez mais sofisticados mirando desde hospitais até redes de distribuição de energia, o FBI aposta que a melhor resposta é treinar agentes como se já estivessem dentro da crise, e não apenas estudando ela à distância.

A cidade que não existe, portanto, prepara investigadores para proteger as cidades que existem de verdade.

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