A saga judicial de Carla Zambelli na Itália ganhou um novo capítulo nesta semana, mas está longe de encerrada. A Corte Suprema de Cassação italiana divulgou nesta quinta-feira (11) a fundamentação completa da decisão que, em 22 de maio, negou a extradição da ex-deputada ao Brasil — e o argumento central dos magistrados italianos foi a atuação do ministro Alexandre de Moraes no processo.
Segundo o acórdão 21634/2026, a Corte entendeu que a forma como Moraes atuou no caso comprometeu a aparência de neutralidade exigida para um julgamento justo, configurando o que chamou de “macroscópica violação do direito de defesa”. O tribunal não absolveu Zambelli nem anulou a condenação imposta pelo STF — apenas entendeu que, naquele processo específico, o Brasil não demonstrou que o direito de defesa foi preservado em seu núcleo essencial.
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O processo em questão era o da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça, pelo qual o STF condenou Zambelli a dez anos de prisão em regime fechado, com perda do mandato parlamentar. Mas esse não é o único processo de extradição em andamento.
Em abril, a Corte de Apelação de Roma já havia emitido parecer favorável à extradição de Zambelli num segundo processo — referente à condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, episódio em que ela sacou uma pistola e perseguiu um homem numa rua de São Paulo às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. A pena nesse caso é de cinco anos e três meses de prisão. A defesa anunciou que recorrerá à Corte de Cassação também nesse processo — o mesmo caminho que usou com sucesso no caso do CNJ.
Enquanto esse segundo processo não tem data definida para julgamento, Zambelli está em liberdade desde 22 de maio, quando a Corte de Cassação determinou sua soltura após quase dez meses presa no presídio de Rebibbia, em Roma.
Mesmo que a Corte de Cassação venha a autorizar a extradição no segundo processo, a decisão final não seria automática: o ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, do partido Irmãos de Itália, teria até 45 dias para se manifestar. E a defesa ainda poderia recorrer ao Tribunal Administrativo Regional para suspender a execução da medida enquanto o recurso for analisado.
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A linha do tempo do caso começa em junho de 2025, quando Zambelli deixou o Brasil alegando perseguição política, cruzando a fronteira terrestre com a Argentina antes que o STF decretasse sua prisão. Em julho daquele ano, ela foi detida em Roma após cooperação entre a Polícia Federal, a Interpol e autoridades italianas. Desde então, o embate jurídico se desdobra em duas frentes simultâneas — e, por ora, com resultados distintos para cada lado da disputa.
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