A Polícia Federal passou a considerar secundária a colaboração premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo fontes ligadas à investigação, a nova proposta de delação não teria apresentado informações suficientes para alterar significativamente o rumo das apurações, levando os investigadores a priorizarem outras linhas de obtenção de provas.
A avaliação interna é de que a colaboração entregue pela defesa do empresário contém poucos fatos inéditos e acrescenta elementos limitados ao material já reunido pela PF ao longo da investigação. Por esse motivo, cresce a expectativa de que o inquérito avance independentemente de um eventual acordo de colaboração com o banqueiro.
O foco dos investigadores agora se volta para depoimentos e possíveis acordos firmados por outros personagens considerados estratégicos para esclarecer o suposto esquema sob investigação. Entre eles está o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso preventivamente desde abril e apontado pelas autoridades como figura central em operações que envolvem a compra de ativos ligados ao Banco Master.
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De acordo com as investigações, Costa teria participado de negociações consideradas suspeitas e estaria preparando documentos para uma proposta de colaboração premiada. Informações eventualmente apresentadas por ele são vistas pela PF como potencialmente relevantes para aprofundar o entendimento das operações financeiras analisadas.
Outro nome que permanece no radar dos investigadores é Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Ele é apontado como peça importante em transações relacionadas a empresas que aparecem com frequência no inquérito, incluindo companhias suspeitas de participação em operações financeiras sob investigação.
Além deles, a Polícia Federal continua analisando a atuação de familiares, assessores e pessoas ligadas ao grupo empresarial de Vorcaro. Entre os investigados estão operadores financeiros, advogados, especialistas em tecnologia e até um policial federal suspeito de acesso e repasse de informações sigilosas.
A percepção entre os responsáveis pela investigação é de que o avanço das diligências, somado à análise de aparelhos eletrônicos apreendidos e ao cruzamento de dados financeiros, reduziu a relevância estratégica de uma eventual colaboração do banqueiro. Investigadores avaliam que boa parte das informações consideradas essenciais para o caso já teria sido obtida por outros meios.
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Essa não é a primeira tentativa de Vorcaro de firmar um acordo de delação. Uma proposta anterior já havia sido rejeitada sob o entendimento de que apresentava inconsistências e omitia fatos relevantes identificados durante as apurações.
Embora a segunda versão entregue pela defesa seja considerada mais detalhada, fontes ligadas ao caso afirmam que ela ainda não atende às expectativas dos investigadores em relação à apresentação de provas, esclarecimentos e informações inéditas.
A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes envolvendo a comercialização de carteiras de crédito e outras operações financeiras que teriam causado prejuízos bilionários. Com a ampliação das linhas investigativas e o surgimento de novos elementos, a Polícia Federal trabalha agora com a possibilidade de concluir etapas importantes do inquérito mesmo sem um acordo formal de colaboração com Daniel Vorcaro.
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