20.8 C
São Paulo
terça-feira, junho 9, 2026

Estudo revela diferenças no cérebro de homens e mulheres ao recordar situações traumáticas

Leia mais

Experiências traumáticas podem deixar marcas duradouras na memória, mas a forma como essas lembranças são recuperadas pelo cérebro pode variar entre homens e mulheres. É o que aponta uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, que identificou diferenças biológicas importantes no processamento das memórias associadas ao medo.

A descoberta pode ajudar a compreender por que transtornos relacionados a eventos traumáticos, como o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), são diagnosticados com maior frequência em mulheres. Segundo estimativas médicas, elas apresentam cerca do dobro do risco de desenvolver a condição em comparação aos homens.

No centro da investigação está uma marca molecular chamada poliubiquitinação K27. Os pesquisadores observaram que esse mecanismo apresenta um comportamento distinto no cérebro feminino durante situações de ameaça, desempenhando papel relevante na consolidação das lembranças traumáticas.

++ Mulher que fingiu ser criança por mais de um ano é indiciada por estelionato em Santa Catarina

“Isso aponta para um mecanismo neurobiológico que é acionado nas mulheres durante um evento traumático e pode ajudar a explicar a diferença que observamos no TEPT”, afirmou Timothy Jarome, professor associado de neurobiologia da Universidade da Virgínia.

Para chegar às conclusões, a equipe analisou áreas cerebrais de ratos ligadas à memória e às respostas emocionais. Os resultados mostraram que, diante de situações que provocavam medo, houve um aumento expressivo da atividade da poliubiquitinação K27 nas fêmeas. Nos machos, esse comportamento não foi registrado.

Os cientistas também realizaram intervenções genéticas para reduzir a ação dessa molécula. Após o procedimento, as fêmeas apresentaram dificuldades para manter as memórias relacionadas ao trauma, enquanto os machos não demonstraram alterações significativas.

Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi a relação entre a K27 e a proteína ACAT1, frequentemente associada a estudos sobre a doença de Alzheimer. A interação entre ambas sugere que o mecanismo pode participar não apenas da formação das memórias, mas também dos processos envolvidos em seu enfraquecimento ou desaparecimento.

++ MPRJ recorre de decisão que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros no caso Henry Borel

“Normalmente, esperaríamos que a amígdala fosse o local onde isso aconteceria, porque é muito importante para as emoções. Mas vimos isso em uma região de memória mais ampla, e era específico para um dos sexos”, concluiu Jarome.

Os autores destacam que os resultados ainda exigem novas investigações, mas acreditam que a descoberta abre caminho para pesquisas capazes de aprofundar o entendimento sobre as diferenças biológicas entre homens e mulheres diante de experiências traumáticas e seus possíveis impactos na saúde mental.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias