Apesar de o estoque mundial de armas nucleares ter diminuído ligeiramente nos últimos anos, especialistas afirmam que o cenário internacional está longe de ser mais seguro. Um novo levantamento do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri) aponta que diversas potências estão tornando seus arsenais mais operacionais, elevando o risco de uma escalada nuclear em meio às tensões geopolíticas globais.
Segundo o relatório, o planeta possui atualmente cerca de 12 mil ogivas nucleares. Embora o número seja inferior ao registrado durante a Guerra Fria, uma parcela significativa desses armamentos permanece disponível para eventual utilização, o que mantém acesa a preocupação de analistas de segurança internacional.
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A principal mudança observada pelos pesquisadores não está na quantidade de armas, mas na estratégia adotada pelos países que detêm capacidade nuclear. Em vez de manterem as ogivas armazenadas, várias nações vêm transferindo esses equipamentos para sistemas de lançamento, tornando-os mais rapidamente acionáveis em caso de conflito.
Para os especialistas do Sipri, essa tendência ocorre em um momento marcado pelo enfraquecimento de acordos de controle armamentista e pelo aumento da rivalidade entre grandes potências. O resultado é um ambiente internacional mais instável, no qual os mecanismos de contenção construídos ao longo das últimas décadas perdem força.
Os Estados Unidos e a Rússia continuam dominando o cenário nuclear mundial. Juntos, os dois países concentram mais de quatro quintos de todas as ogivas existentes no planeta e seguem investindo em programas de modernização de seus arsenais. Enquanto Washington enfrenta desafios relacionados a custos e cronogramas, Moscou lida com dificuldades técnicas e impactos econômicos associados à guerra na Ucrânia.
Outro destaque do relatório é a expansão acelerada das capacidades nucleares chinesas. O Sipri identifica a China como a potência que mais amplia seu arsenal atualmente. A estimativa é de que o país possua mais de 600 ogivas e continue avançando na construção de sistemas capazes de ampliar significativamente seu poder de dissuasão nos próximos anos.
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Além das três maiores potências nucleares, outros países também promovem atualizações em seus programas estratégicos. França e Reino Unido mantêm projetos de modernização, enquanto Índia e Paquistão seguem acompanhando a dinâmica de segurança do sul da Ásia. A Coreia do Norte continua investindo na expansão de seu arsenal, e Israel, embora não confirme oficialmente possuir armas nucleares, também é apontado como um país que realiza melhorias em suas capacidades militares.
Os pesquisadores alertam que a redução gradual dos arsenais observada desde o fim da Guerra Fria pode estar chegando ao fim. O ritmo de desativação de ogivas antigas vem diminuindo, ao mesmo tempo em que novos sistemas entram em operação em diferentes regiões do mundo.
Diante desse cenário, o Sipri conclui que os riscos nucleares não dependem apenas da quantidade de armas existentes, mas também do grau de prontidão, da modernização tecnológica e do ambiente político internacional. Para os especialistas, a combinação desses fatores tem contribuído para um período de crescente incerteza sobre a segurança global.
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