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sexta-feira, julho 17, 2026

Finlândia constrói ‘cofre do fim dos tempos’ para guardar lixo nuclear por 100 mil anos

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A Finlândia está prestes a colocar em operação uma das obras de engenharia mais ambiciosas já desenvolvidas para a gestão de resíduos nucleares. Instalado nas profundezas da ilha de Olkiluoto, o complexo conhecido como Onkalo foi criado para armazenar permanentemente combustível nuclear usado e impedir que materiais radioativos representem riscos para futuras gerações.

Considerado o primeiro repositório geológico profundo do mundo destinado ao descarte definitivo desse tipo de resíduo, o projeto busca solucionar um dos maiores desafios da indústria nuclear: como manter materiais altamente radioativos seguros durante milhares de anos.

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Estrutura foi construída sob rochas com quase 2 bilhões de anos

O depósito foi escavado a cerca de 450 metros de profundidade, em uma formação geológica extremamente estável composta por granito antigo. O local foi escolhido justamente por sua resistência a fenômenos naturais e por apresentar condições favoráveis para o confinamento de resíduos por períodos extremamente longos.

Os rejeitos serão armazenados em cápsulas metálicas reforçadas, protegidas por múltiplas camadas de segurança. Além dos recipientes especiais, o sistema utiliza argila bentonítica, material capaz de se expandir em contato com a umidade e criar uma barreira adicional contra possíveis vazamentos.

A combinação entre tecnologia e estabilidade geológica foi projetada para resistir a terremotos, movimentações do solo e até futuras eras glaciais.

Um legado para os próximos 100 mil anos

O aspecto mais impressionante do projeto é seu horizonte temporal. Os engenheiros calcularam que os resíduos precisam permanecer isolados por aproximadamente 100 mil anos para que seus níveis de radioatividade se tornem seguros.

Para efeito de comparação, esse período é muito superior ao tempo de existência da agricultura, das cidades e até das civilizações mais antigas conhecidas.

Após receber os resíduos durante cerca de um século, o complexo será definitivamente selado. A expectativa é que, depois disso, não haja necessidade de manutenção humana ou monitoramento constante.

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Referência mundial na gestão nuclear

Com investimento superior a 1 bilhão de euros, o Onkalo vem sendo acompanhado por especialistas de diversos países que também buscam soluções de longo prazo para seus resíduos radioativos.

A iniciativa reforça a posição da Finlândia como uma das referências globais em energia nuclear e sustentabilidade. Atualmente, aproximadamente um terço da eletricidade consumida no país é gerada por usinas nucleares.

Além do repositório subterrâneo, os finlandeses também investem em tecnologias para reaproveitamento de materiais de baixa radioatividade, transformando parte desses resíduos em energia para abastecimento urbano.

Uma solução para um problema de gerações

Enquanto muitos países ainda discutem alternativas para o armazenamento definitivo de resíduos nucleares, a Finlândia aposta em uma resposta de longo prazo baseada na combinação de ciência, engenharia e planejamento intergeracional.

Mais do que uma obra de infraestrutura, o Onkalo representa uma tentativa de proteger pessoas que viverão milhares de anos no futuro de um problema criado pela sociedade atual.

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