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sábado, julho 18, 2026

Operárias, e não a rainha, podem definir o futuro da colmeia, revela estudo

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Uma descoberta recente está mudando a forma como cientistas entendem a organização das colônias de abelhas. Um estudo conduzido por pesquisadores da Penn State University indica que o surgimento de novas rainhas não depende exclusivamente da rainha da colmeia, mas também da atuação das operárias responsáveis pelos cuidados com as larvas.

Publicada na revista científica Insect Biochemistry and Molecular Biology, a pesquisa analisou colônias de abelhas mamangabas e investigou como indivíduos geneticamente idênticos podem desenvolver funções tão diferentes dentro de uma mesma sociedade.

Os cientistas identificaram que o chamado hormônio juvenil exerce papel decisivo nesse processo. A substância, ligada ao crescimento, à metamorfose e à reprodução dos insetos, pode ser absorvida pelas operárias e posteriormente transferida às larvas por meio do alimento que elas produzem.

Hormônio recebido das cuidadoras aumenta chance de virar rainha

Segundo os pesquisadores, larvas que recebem maiores quantidades desse hormônio apresentam uma probabilidade significativamente maior de se desenvolverem como rainhas.

A descoberta sugere que as operárias possuem influência direta sobre a composição futura da colônia. Em vez de um sistema totalmente controlado pela rainha, o estudo aponta para uma dinâmica mais coletiva, na qual as cuidadoras ajudam a determinar quais indivíduos ocuparão funções reprodutivas.

As diferenças entre castas são marcantes. Enquanto as rainhas costumam ser maiores, mais longevas e capazes de se reproduzir, as operárias dedicam sua vida à manutenção da colmeia e normalmente não geram descendentes.

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Experimentos revelaram papel decisivo das operárias

Para testar a hipótese, os pesquisadores criaram grupos experimentais compostos por operárias e larvas. Em algumas situações, o hormônio juvenil foi aplicado diretamente nas larvas. Em outras, foi administrado apenas às operárias.

Os resultados surpreenderam. Quando o hormônio era oferecido diretamente às larvas, muitas delas acabavam sendo eliminadas pelas próprias operárias. Já quando as cuidadoras recebiam a substância, ela era incorporada ao alimento produzido a partir de néctar e pólen e transferida naturalmente às larvas.

Nesse cenário, os indivíduos em desenvolvimento apresentaram maior crescimento corporal e mais chances de se transformarem em rainhas.

Os cientistas também descobriram que existe um período específico de sensibilidade ao hormônio: as larvas respondem à substância principalmente entre o sétimo e o oitavo dia de desenvolvimento.

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Descoberta pode ajudar na conservação e na polinização

Os pesquisadores acreditam que o mecanismo esteja relacionado ao envelhecimento natural das colônias. À medida que a estrutura social envelhece, algumas operárias passam a apresentar níveis mais elevados do hormônio juvenil, aumentando a transferência da substância para as novas gerações.

Além de ampliar o conhecimento sobre a organização das sociedades de insetos, a descoberta pode trazer aplicações práticas. O entendimento dos fatores que determinam o surgimento de rainhas pode contribuir para programas de criação de mamangabas utilizadas na polinização agrícola e para estratégias de conservação desses importantes polinizadores.

Para os autores do estudo, os resultados demonstram que a vida em uma colmeia é ainda mais complexa do que se imaginava, envolvendo uma rede de interações sociais capazes de influenciar diretamente o destino de cada indivíduo e o futuro de toda a colônia.

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