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sábado, julho 18, 2026

Cientistas descobrem que “bússola” dos pombos pode estar escondida no fígado

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Pesquisadores alemães identificaram um mecanismo inédito que pode explicar como pombos e outras aves conseguem se orientar utilizando o campo magnético terrestre. A descoberta, publicada na revista científica Science, aponta que células do sistema imunológico localizadas no fígado desempenham papel fundamental na chamada magnetorrecepção — a capacidade de perceber o magnetismo da Terra.

Durante décadas, cientistas sabiam que aves migratórias e pombos-correios utilizavam informações magnéticas para navegar por longas distâncias, mas a origem desse “sensor natural” permanecia um mistério.

O novo estudo sugere que a resposta pode estar nos macrófagos, células responsáveis por eliminar glóbulos vermelhos envelhecidos e outros resíduos do organismo. Nesse processo, elas acumulam ferro em estruturas microscópicas que se tornam sensíveis aos campos magnéticos.

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Segundo a pesquisadora Clivia Lisowski, da Universidade de Bonn, essas partículas funcionariam de maneira semelhante a uma bússola.

“Quando os pombos voam, as nanopartículas se alinham com o campo magnético terrestre e se tornam magnetizadas”, explicou a cientista.

Para localizar essas estruturas, os pesquisadores analisaram órgãos conhecidos por armazenar grandes quantidades de ferro, como o fígado e o baço. Os resultados mostraram que o fígado apresentava a concentração mais significativa das partículas associadas à percepção magnética.

A descoberta foi confirmada por testes conduzidos com pombos treinados para retornar ao viveiro após serem soltos a mais de 20 quilômetros de distância. Parte das aves passou por procedimentos que eliminaram os macrófagos ricos em ferro, enquanto outro grupo permaneceu inalterado.

Os pesquisadores observaram que os animais privados dessas células tiveram mais dificuldade para encontrar o caminho de volta, especialmente em dias nublados. Já quando o céu estava limpo, muitos conseguiram se orientar utilizando outras referências naturais, como a posição do Sol.

Os resultados indicam que a navegação das aves não depende de um único mecanismo, mas da combinação de diferentes fontes de informação disponíveis no ambiente.

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Outro achado importante foi a identificação desses macrófagos próximos a fibras nervosas. Para os cientistas, essa proximidade sugere que os sinais captados pelas partículas magnéticas podem ser transmitidos diretamente ao cérebro, permitindo que as aves processem informações de orientação durante o voo.

O estudo também amplia o entendimento sobre a relação entre sistema imunológico e percepção ambiental. Segundo os autores, a descoberta abre novas possibilidades de pesquisa tanto na área da imunologia quanto nos estudos sobre comportamento animal.

Além de ajudar a explicar a impressionante capacidade de navegação dos pombos, os resultados podem contribuir para compreender como aves migratórias, morcegos e outros animais conseguem percorrer grandes distâncias, inclusive durante a noite ou em ambientes com poucas referências visuais.

Para os pesquisadores, a descoberta representa um passo importante na solução de um dos enigmas mais antigos da biologia animal: como algumas espécies conseguem encontrar o caminho utilizando apenas os sinais invisíveis gerados pelo campo magnético da Terra.

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