Um levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas mostrou que a reincidência entre consumidores inadimplentes atingiu níveis preocupantes no país. Segundo o estudo, cerca de 86% das pessoas negativadas em abril já haviam deixado outras dívidas vencerem nos 12 meses anteriores.
Os dados indicam um agravamento do ciclo de endividamento das famílias brasileiras. Do total de inadimplentes reincidentes, 68,53% sequer conseguiram quitar as pendências anteriores antes de voltarem a ser negativados. Outros 17,41% chegaram a sair dos cadastros de devedores, mas acabaram acumulando novas dívidas pouco tempo depois.
Apenas 14,05% dos consumidores negativados no período não tinham registros anteriores de inadimplência no último ano.
Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o cenário reflete o aumento da fragilidade financeira da população brasileira.
++ INSS confirma vazamento de dados após falha em sistema da Dataprev
“O cenário atual da inadimplência no Brasil atinge patamares alarmantes, configurando um recorde histórico no mês de abril que reflete a fragilidade financeira das famílias”, afirmou.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o número de inadimplentes reincidentes cresceu 15,05%.
O levantamento também identificou que a faixa etária entre 30 e 39 anos concentra o maior número de consumidores que voltam a atrasar contas, representando 26,18% do total. Em seguida aparecem os grupos entre 40 e 49 anos, com 23,8%, e de 25 a 29 anos, com 11,63%.
Outro dado que chamou atenção foi o curto intervalo entre uma dívida e outra. Em média, os consumidores reincidentes levam apenas 71 dias para voltar a ter uma nova pendência financeira registrada.
Segundo José César da Costa, o encurtamento desse prazo mostra a dificuldade crescente das famílias em reorganizar o orçamento mesmo após entrar em situação de inadimplência.
“O dado mais preocupante é a velocidade do ciclo de endividamento. Em pouco mais de dois meses após o primeiro registro, o consumidor já enfrenta um novo descumprimento financeiro”, destacou.
O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, afirmou que os indicadores revelam uma deterioração da capacidade de recuperação financeira da população.
++ Preços do petróleo sobem com incertezas sobre acordo entre EUA e Irã
“Estamos atravessando o pior abril da história para o crédito no país”, declarou.
Apesar do cenário negativo, o estudo mostra que consumidores mais velhos apresentam maior capacidade de recuperação financeira. A faixa entre 50 e 64 anos liderou o número de pessoas que conseguiram quitar dívidas, representando 24,75% das regularizações registradas.
Já o grupo de 40 a 49 anos respondeu por 20,68% das recuperações, enquanto consumidores de 30 a 39 anos, apesar de liderarem a reincidência, representaram 18,69% das saídas dos cadastros de inadimplência.
O valor médio desembolsado pelos consumidores para limpar o nome foi de R$ 2.176,99. Ainda assim, a maioria das regularizações ocorreu em dívidas menores: 61,44% dos consumidores quitaram valores de até R$ 500.
Para especialistas do setor, o avanço da inadimplência recorrente mostra que muitos brasileiros conseguem renegociar dívidas, mas ainda enfrentam dificuldades para manter o equilíbrio financeiro no médio prazo.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech








