O Banco Central do Brasil divulgou nesta quinta-feira um novo Plano de Integridade com vigência entre 2026 e 2027. O documento estabelece 36 ações voltadas ao fortalecimento da ética institucional, prevenção de conflitos de interesse e monitoramento interno, em meio aos desdobramentos do chamado Caso Master.
Entre as medidas previstas, uma das que mais chamaram atenção envolve a criação de mecanismos para evitar a “formação de relacionamentos inapropriados” entre servidores do BC e instituições supervisionadas pela autarquia.
Segundo o documento, o órgão pretende avaliar critérios para promover a alternância de funções e postos de trabalho em áreas consideradas sensíveis, especialmente aquelas ligadas à fiscalização bancária e à relação com entidades reguladas.
A proposta prevê:
- Rotação de servidores em posições estratégicas
- Mitigação de conflitos de interesse
- Redução de vínculos prolongados com instituições supervisionadas
- Monitoramento de possíveis relações inadequadas com partes interessadas e prestadores de serviço
A implementação dessa medida está prevista para ocorrer entre julho e dezembro deste ano.
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O novo plano foi anunciado poucos meses após o afastamento de dois servidores ligados à área de fiscalização do Banco Central. Segundo investigações internas, ambos teriam mantido relações diretas com o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, instituição que entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025 após suspeitas envolvendo venda de títulos fraudulentos.
Os servidores afastados foram:
- Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de fiscalização do BC
- Bellini Santana, ex-chefe de departamento da supervisão bancária
De acordo com as apurações, os dois participariam de conversas sobre estratégias do Banco Master diante da própria autoridade supervisora.
O Banco Central afirma que o plano está estruturado em três pilares principais:
- princípios de integridade pública;
- diretrizes de comportamento esperado;
- ações práticas implementadas em ciclos bienais.
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Os sete eixos do programa incluem:
- transparência;
- ética e comunicação;
- treinamento de servidores;
- práticas de integridade nos processos internos;
- tratamento de denúncias;
- responsabilização;
- monitoramento contínuo.
Segundo o BC, o plano anterior, válido entre 2024 e 2025, previa 37 ações. Dessas, 29 foram concluídas, três acabaram canceladas e cinco foram prorrogadas para o novo ciclo.
O documento também reforça treinamentos voltados à ética pública, atividade correcional e prevenção de conflitos de interesse, além da participação do Banco Central em fóruns externos ligados à integridade e governança institucional.
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