Um professor francês passou a ser investigado pelas autoridades da França após vir à tona que uma prestigiada premiação acadêmica, apresentada como equivalente ao Nobel, jamais existiu oficialmente. O caso envolve o pesquisador Florent Montaclair, acusado de criar uma honraria fictícia, organizar cerimônias sofisticadas e utilizar o reconhecimento para fortalecer sua reputação profissional.
Segundo investigadores, Montaclair teria recebido, em 2016, a chamada “Medalha de Ouro de Filologia”, prêmio supostamente concedido desde 1937 a estudiosos de destaque na área da linguagem e da literatura. O problema é que nem a premiação, nem a entidade responsável por ela possuem existência legal comprovada.
A fraude chamou atenção pelo nível de elaboração. Eventos de entrega do prêmio chegaram a contar com a presença de acadêmicos renomados, parlamentares, ex-ministros e até vencedores do Nobel. Convidados eram informados de que intelectuais conhecidos, como Umberto Eco e Noam Chomsky, também teriam recebido a honraria em anos anteriores.
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As suspeitas começaram após autoridades francesas identificarem inconsistências na documentação da suposta instituição responsável pelo prêmio. A investigação ganhou força nos últimos meses e, segundo o procurador Paul-Édouard Lallois, revelou uma estrutura inteiramente construída para dar aparência de legitimidade à medalha.
“Foi tudo uma grande farsa. Daria para virar filme ou série de televisão”, afirmou o procurador ao jornal britânico The Guardian.
Agora, o foco das autoridades é descobrir se Montaclair utilizou o falso reconhecimento para obter benefícios concretos, como promoções, contratos ou vantagens financeiras no meio acadêmico. Segundo os investigadores, a existência da medalha em currículos, entrevistas e apresentações públicas pode configurar fraude caso tenha gerado ganhos profissionais.
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A defesa do professor nega irregularidades. Ao jornal francês Le Monde, o advogado Jean-Baptiste Euvrard afirmou que o caso envolve apenas uma construção imaginativa sem intenção criminosa.
“Dizem que há 10 anos todos caíram num golpe monstruoso, mas todos têm o direito de usar a imaginação; cabe à pessoa com quem você está falando acreditar ou não”, declarou.
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