Apesar de o câncer poder atingir praticamente qualquer parte do corpo, o coração está entre as exceções mais incomuns. Tumores que se originam diretamente nesse órgão são extremamente raros — e a explicação está na própria biologia cardíaca.
De acordo com especialistas, o chamado “câncer no coração” existe, mas representa uma parcela mínima entre todos os diagnósticos oncológicos. “O câncer no coração é extremamente raro, ocorrendo em menos de 1% dos casos de câncer”, afirma o cardiologista Brivaldo Markman Filho, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
A principal razão para essa raridade está no comportamento das células cardíacas. Diferentemente de outros tecidos do corpo, elas praticamente não se dividem ao longo da vida — processo essencial para o surgimento de mutações genéticas que podem dar origem a tumores. “Para se desenvolver, o câncer precisa de mutações que geralmente ocorrem quando as células estão se dividindo. As células do coração praticamente não se dividem ao longo da vida, o que reduz a chance de surgirem alterações genéticas capazes de gerar tumores”, explica o oncologista Oren Smaletz.
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Quando surgem, os tumores cardíacos podem ser benignos ou malignos. Entre os benignos, o mais comum é o mixoma, geralmente localizado nos átrios do coração. Já os casos malignos primários são ainda mais raros, envolvendo tipos específicos de sarcomas e linfomas.
Na prática clínica, porém, a maioria dos tumores identificados no coração não tem origem no próprio órgão. “A maioria dos tumores cardíacos ocorre por metástase de outros órgãos”, destaca Markman. Ou seja, são decorrentes da disseminação de cânceres que começaram em outras partes do corpo.
Os sintomas, quando aparecem, estão ligados à interferência no funcionamento do coração, podendo incluir falta de ar, inchaço e sinais de insuficiência cardíaca. Em geral, eles surgem de forma gradual, à medida que o tumor compromete a circulação sanguínea dentro do órgão.
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Embora raros, os tumores cardíacos reforçam a importância de atenção a sinais persistentes no organismo e da investigação médica adequada, especialmente em casos de histórico oncológico.
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