Uma nova pesquisa aponta que o cérebro dos cães domésticos começou a reduzir de tamanho há aproximadamente 5 mil anos — bem depois do início da convivência com humanos. O estudo traz novas pistas sobre o processo de domesticação e desafia algumas ideias consolidadas sobre a evolução desses animais.
De acordo com o pesquisador Thomas Cucchi, do Centro Nacional Francês de Investigação Científica, a mudança não significa perda de inteligência. “Eles são extremamente inteligentes e a domesticação não os tornou estúpidos, mas sim capazes de nos ler e se comunicar conosco”, explicou.
Redução não ocorreu no início da domesticação
Durante muito tempo, acreditou-se que o cérebro menor fosse uma consequência direta da domesticação inicial. No entanto, os dados mais recentes indicam que os primeiros cães — que viveram entre 35 mil e 15 mil anos atrás — tinham cérebros semelhantes, ou até maiores, que os dos lobos.
A redução significativa só aparece em cães do período neolítico, cerca de 5 mil anos atrás, quando já havia uma convivência mais estabelecida com humanos.
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Análise de crânios antigos e modernos
Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram tomografias de dezenas de crânios de cães e lobos, tanto pré-históricos quanto atuais. Os resultados mostraram que cães modernos podem ter cérebros até 30% menores que os lobos, enquanto exemplares do neolítico apresentavam diferenças ainda mais acentuadas.
Hipóteses para a mudança
Apesar da constatação, ainda não há consenso sobre o motivo dessa transformação. Algumas hipóteses incluem:
- Mudanças no ambiente e na disponibilidade de alimento
- Adaptação a uma vida mais próxima dos humanos
- Seleção de características comportamentais ao longo do tempo
Há também a possibilidade de que cérebros menores tenham sido favorecidos por exigirem menos energia — uma vantagem em contextos de escassez.
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Cérebro menor, comportamento diferente
Os pesquisadores apontam que a redução do cérebro pode ter sido acompanhada por uma reorganização interna, influenciando o comportamento dos cães. Animais com cérebros menores tendem a ser mais cautelosos e menos adaptáveis a mudanças, mas também mais aptos à convivência com humanos.
Para especialistas, o estudo reforça que a domesticação é um processo complexo e gradual — e que ainda há muito a entender sobre como os cães se tornaram os companheiros que conhecemos hoje.
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