Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras trouxe à tona movimentações financeiras envolvendo o Exército Brasileiro e o Banco Master. Segundo o documento, a instituição financeira recebeu cerca de R$ 39 milhões ao longo de 14 meses, entre agosto de 2024 e outubro de 2025.
Os valores têm origem em parcelas de empréstimos consignados contratados por militares. No entanto, o padrão de movimentação chamou atenção dos órgãos de controle. De acordo com o relatório, os recursos eram depositados em uma conta e rapidamente transferidos para outras contas dentro do próprio banco, dificultando o rastreamento do destino final.
Movimentação considerada atípica
O Coaf destacou que a dinâmica das transações impede identificar com clareza se há outros beneficiários envolvidos. O documento menciona indícios de concentração de recursos e operações que podem se enquadrar em situações passíveis de comunicação às autoridades competentes.
“Considerando o recebimento de créditos com o imediato débito dos valores […] não é possível identificar se eventualmente existem outros beneficiários”, aponta o relatório.
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Posição do Exército
Em nota, o Exército afirmou que os repasses correspondem exclusivamente a valores privados de militares, descontados em folha para pagamento de dívidas com o banco. Segundo a instituição, sua atuação se limitou à intermediação desses descontos e à transferência dos valores.
A Força também destacou que não houve prejuízo aos cofres públicos, já que os recursos não pertencem ao erário, mas aos próprios militares.
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Contexto de crise
O caso surge em meio às dificuldades enfrentadas pelo Banco Master, que passou por uma crise financeira culminando em sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025.
Antes disso, a instituição expandiu operações de crédito, especialmente no segmento de consignados, acumulando milhões de clientes e também um volume significativo de reclamações.
O relatório agora amplia o foco sobre a atuação do banco, indicando a necessidade de maior transparência nas operações financeiras e reforçando o papel dos órgãos de controle na identificação de movimentações atípicas no sistema.
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