Um estudo publicado na revista Nature Astronomy traz uma nova explicação para a presença de água na Lua — e pode mudar a forma como futuras missões espaciais serão planejadas. Em vez de ter surgido a partir de um único evento, como o impacto de um cometa, o gelo lunar pode ter se formado de maneira gradual ao longo de bilhões de anos.
A pesquisa busca esclarecer por que algumas crateras concentram água congelada enquanto outras, aparentemente semelhantes, permanecem secas. Observações anteriores da NASA já haviam identificado depósitos de gelo, principalmente em regiões próximas ao Polo Sul lunar. Ainda assim, a distribuição irregular desse recurso permanecia sem explicação definitiva.
Segundo os cientistas, a hipótese mais aceita agora aponta para um acúmulo contínuo ao longo de cerca de 3 a 3,5 bilhões de anos. “Parece que as crateras mais antigas da Lua também são as que têm mais gelo”, afirmou o pesquisador Paul Hayne.
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De onde vem a água da Lua
O estudo indica que não há uma única origem para a água lunar. Entre as possíveis fontes estão antigos episódios vulcânicos, impactos de cometas e asteroides e até o vento solar — fluxo de partículas vindas do Sol que pode reagir com elementos presentes na superfície e formar moléculas de água.
Independentemente da origem, há um consenso: o gelo tende a se preservar em regiões extremamente frias, conhecidas como “armadilhas frias”. Essas áreas ficam em crateras que nunca recebem luz solar direta, mantendo temperaturas baixíssimas por bilhões de anos.
Onde estão os locais mais promissores
Para entender por que algumas dessas crateras acumulam mais gelo do que outras, os pesquisadores utilizaram simulações baseadas em dados do instrumento Diviner, da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter.
Os resultados mostram que nem todas as crateras atualmente sombreadas permaneceram assim ao longo da história. Algumas foram expostas à luz solar em determinados períodos, o que teria impedido a preservação do gelo.
Entre os locais mais promissores identificados está a Cratera Haworth, próxima ao Polo Sul da Lua. Segundo o estudo, ela pode ter permanecido na escuridão por mais de 3 bilhões de anos — condição ideal para armazenar grandes quantidades de água congelada.
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Por que isso importa
A presença de água na Lua é considerada estratégica para a exploração espacial. Além de poder ser utilizada para consumo humano, ela também pode ser convertida em hidrogênio e oxigênio, servindo como combustível para foguetes.
Para avançar nessa descoberta, a NASA já prepara novos instrumentos, como o sistema L-CIRiS, que deve ser enviado ao Polo Sul lunar até o fim da década. O objetivo é mapear com maior precisão esses depósitos e orientar futuras missões tripuladas.
Apesar dos avanços, os cientistas ressaltam que a confirmação definitiva ainda depende da coleta direta de amostras — etapa considerada crucial para entender a origem e a quantidade real de água presente no satélite.
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