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quinta-feira, setembro 17, 2026

Quase 40 anos depois, Goiás amplia pensões a vítimas do maior desastre radiológico do Brasil

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A Assembleia Legislativa de Goiás aprovou a atualização das pensões pagas às vítimas do Acidente com o césio-137 em Goiânia, episódio que marcou a história do país como o maior desastre radiológico fora de usinas nucleares. O texto segue agora para sanção do governador Ronaldo Caiado.

A proposta prevê aumentos expressivos nos valores pagos mensalmente. Pessoas que tiveram contato direto com o material radioativo ou foram expostas a níveis mais altos de radiação passarão a receber R$ 3.242, ante os atuais R$ 1.908. Já os demais beneficiários terão o valor reajustado de R$ 954 para R$ 1.621. Hoje, cerca de 600 pessoas são contempladas com o benefício vitalício.

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Segundo o governo estadual, a medida não altera regras nem amplia o número de beneficiários. O foco é recompor o poder de compra das pensões, que ficaram anos sem correções significativas, e garantir condições mínimas de subsistência para quem teve a vida afetada pela contaminação.

O tema voltou à pauta recentemente após a repercussão da série Emergência Radioativa, que reacendeu o debate público sobre o caso e aumentou a pressão por medidas de reparação mais atualizadas.

Uma tragédia que ainda ecoa

O acidente ocorreu em setembro de 1987, na cidade de Goiânia, quando uma cápsula contendo césio-137 foi retirada de um equipamento médico abandonado. Sem conhecimento dos riscos, o material foi manipulado e acabou se espalhando, contaminando pessoas e áreas urbanas.

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Quatro mortes foram registradas diretamente, além de outros óbitos associados à exposição à radiação ao longo dos anos. As consequências, no entanto, ultrapassaram os impactos imediatos na saúde. Sobreviventes enfrentaram estigmatização social, dificuldades econômicas e um longo processo de reconhecimento por parte do poder público.

Desde então, a pensão vitalícia tornou-se uma das principais formas de reparação. O novo reajuste representa uma tentativa de atualizar esse apoio à realidade atual, embora vítimas e familiares ainda cobrem políticas permanentes de saúde, acompanhamento e preservação da memória sobre o episódio.

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