O avanço da inteligência artificial no ambiente de trabalho pode estar trazendo um efeito colateral inesperado: o aumento do cansaço mental. Um estudo da Boston Consulting Group identificou um novo tipo de esgotamento, apelidado de “brain fry” — ou “fritura cerebral” — associado ao uso intensivo dessas ferramentas.
A pesquisa acompanhou cerca de 1.488 profissionais nos Estados Unidos e apontou que o problema está ligado à sobrecarga cognitiva. Em vez de apenas facilitar tarefas, a IA pode aumentar a exigência mental, especialmente em áreas como tecnologia e desenvolvimento de software.
Entre os relatos, estão jornadas prolongadas, necessidade constante de revisar conteúdos gerados por IA e a gestão simultânea de múltiplas ferramentas. “A cruel ironia é que o código gerado por IA exige uma revisão mais cuidadosa do que o código escrito por humanos”, relatou o engenheiro Siddhant Khare.
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Esse cenário tem levado profissionais a enfrentarem longos períodos de concentração intensa, o que pode resultar em fadiga, irritabilidade e queda no bem-estar. Há casos de trabalhadores que relatam mais de 15 horas seguidas de trabalho para revisar grandes volumes de código.
Especialistas apontam que o impacto da IA não é uniforme. Quando usada para automatizar tarefas repetitivas, a tecnologia pode reduzir o risco de burnout. No entanto, quando amplia a complexidade do trabalho — exigindo supervisão constante e tomada de decisão —, tende a aumentar o desgaste mental.
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O fenômeno evidencia um paradoxo: a mesma ferramenta que promete produtividade também pode elevar a pressão sobre profissionais, especialmente em setores altamente digitais.
Para especialistas, o desafio agora é encontrar um equilíbrio no uso da IA, garantindo que a tecnologia atue como aliada — e não como fator de sobrecarga — em um cenário de transformação acelerada no mercado de trabalho.
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