Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo identificaram o local exato onde foi encenada a versão oficial da morte do jornalista Vladimir Herzog, durante a ditadura militar. A sala fica no antigo prédio do DOI-Codi, na região central de São Paulo.
A descoberta busca esclarecer um dos episódios mais emblemáticos da repressão no país. Em 1975, o regime divulgou uma fotografia que apresentava Herzog como vítima de suicídio — versão posteriormente contestada e hoje reconhecida como forjada .
O estudo reuniu especialistas de diferentes áreas, como história, arquitetura e arqueologia, que analisaram a estrutura do edifício e cruzaram informações com registros da época. Entre os indícios determinantes, está a identificação de um espaço oculto em uma parede, revelado por alterações na acústica do local.
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A equipe também encontrou marcas preservadas sob camadas de tinta e reformas feitas ao longo das décadas, incluindo registros deixados por presos políticos. Elementos estruturais — como piso, janelas, grades e vestígios de ferragens — foram comparados com imagens históricas e ajudaram a confirmar a correspondência com o cenário da fotografia divulgada pelo regime .
Outro fator que reforçou a conclusão foi a análise de uma segunda imagem, relacionada a outro caso ocorrido no mesmo período, que apresentava características arquitetônicas semelhantes.
Herzog, então diretor de jornalismo da TV Cultura, havia se apresentado voluntariamente ao DOI-Codi para prestar depoimento. No mesmo dia, foi morto sob custódia. Segundo pesquisadores, a cena divulgada à época foi montada para ocultar a morte decorrente de tortura .
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A descoberta reacende o debate sobre memória e justiça histórica no Brasil. Especialistas e instituições defendem que o espaço seja transformado em um local de preservação, dedicado a lembrar as violações de direitos humanos cometidas durante o período.
Apesar de o prédio ser tombado, ele ainda não cumpre plenamente essa função. Há iniciativas em andamento para que o local se torne um centro de memória acessível ao público, ampliando o reconhecimento histórico e a conscientização sobre os crimes da ditadura.
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