Uma hipótese que por décadas foi tratada principalmente como ficção científica voltou a ganhar espaço no debate científico. Um pesquisador afirma ter identificado indícios teóricos de que o universo pode operar de maneira semelhante a uma simulação computacional — ideia popularizada por obras como o filme Matrix.
A proposta parte de um estudo conduzido pelo físico Melvin Vopson, da Universidade de Portsmouth, que defende a existência de uma nova lei da física denominada Segunda Lei da Infodinâmica. Segundo ele, esse princípio estaria relacionado ao comportamento da informação no universo e poderia indicar que a realidade segue regras comparáveis às de sistemas digitais.
Para explicar a hipótese, Vopson utiliza como ponto de partida um conceito bem conhecido da física: a segunda lei da termodinâmica, que estabelece que a entropia — medida da desordem de um sistema — tende a aumentar ao longo do tempo. Um exemplo clássico é o de uma xícara de café quente que esfria naturalmente até atingir a temperatura do ambiente, demonstrando como a energia se dispersa e o sistema se torna mais desorganizado.
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No entanto, ao analisar sistemas baseados em informação, o pesquisador afirma ter observado um comportamento diferente. De acordo com ele, a chamada entropia da informação não aumentaria continuamente. Em muitos casos, ela permaneceria estável ou até diminuiria, aproximando-se de um valor mínimo quando o sistema alcança equilíbrio.
Segundo Vopson e seu colega de pesquisa, o cientista Serban Lepadatu, esse comportamento se assemelha ao funcionamento de sistemas computacionais que constantemente comprimem e reorganizam dados para operar de forma mais eficiente. Para o físico, esse padrão poderia indicar que o universo segue processos semelhantes de otimização de informação.
“Isso é exatamente o que observamos ao nosso redor, incluindo dados digitais, sistemas biológicos, simetrias matemáticas e todo o universo”, afirmou o cientista ao explicar sua teoria.
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Para investigar a hipótese de forma prática, os pesquisadores analisaram sequências genéticas do vírus SARS-CoV-2, responsável pela pandemia de Covid-19. A equipe buscava entender como a informação genética do vírus evoluía ao longo de suas mutações.
De acordo com o estudo, a entropia da informação presente no genoma do vírus teria diminuído ao longo do tempo. Na interpretação proposta por Vopson, esse comportamento poderia indicar um processo de otimização informacional — algo que lembraria mecanismos de compressão de dados utilizados em sistemas digitais.
Outro elemento citado pelo pesquisador é a presença constante de simetria na natureza. Estruturas simétricas aparecem em diversas escalas, desde cristais de gelo até padrões presentes em organismos vivos. Segundo seus cálculos, estados mais simétricos corresponderiam a níveis menores de entropia da informação, o que reforçaria a ideia de organização eficiente de dados.
Apesar de chamar atenção, a teoria ainda é considerada altamente especulativa dentro da comunidade científica. Muitos especialistas ressaltam que não existem evidências experimentais capazes de comprovar que o universo seja, de fato, uma simulação.
Mesmo assim, a discussão sobre essa possibilidade vem ganhando espaço nos últimos anos, especialmente com o avanço da tecnologia e da computação, que tornam cada vez mais plausível imaginar realidades complexas sendo geradas por sistemas digitais.
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