Alvo frequente de piadas nas redes sociais por seu formato estranho e jeito desengonçado de nadar, o Mola mola — conhecido como peixe-lua — está longe de ser um “animal inútil”. Apesar da aparência incomum, a espécie exerce papel relevante no equilíbrio dos oceanos.
O peixe-lua é um dos maiores peixes ósseos do mundo, podendo ultrapassar duas toneladas. Vive em águas tropicais e temperadas e costuma circular também pelo litoral brasileiro, embora prefira regiões mais profundas.
Uma de suas principais funções ecológicas é o controle populacional de águas-vivas e outros cnidários gelatinosos. Ao se alimentar desses organismos em grande quantidade, o peixe-lua contribui para manter o equilíbrio das cadeias marinhas. Especialistas apontam que a redução desses predadores naturais poderia resultar em aumento expressivo das populações de águas-vivas — e, consequentemente, mais registros de queimaduras em banhistas.
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O comportamento de boiar de lado na superfície, frequentemente interpretado como sinal de fragilidade, tem explicação biológica. Nessa posição, aves marinhas retiram parasitas de sua pele, em uma relação de mutualismo que beneficia ambas as espécies.
Além de predador, o peixe-lua também integra a cadeia alimentar, servindo de presa para grandes tubarões e orcas em determinadas fases da vida. Sua presença, portanto, influencia diversos níveis do ecossistema oceânico.
Atualmente, o peixe-lua é classificado como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza. A captura acidental em redes de pesca, colisões com embarcações e a poluição marinha estão entre as principais ameaças.
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Especialistas alertam que rotular espécies como “inúteis” pode reduzir o interesse público e político por sua conservação. Em ecossistemas complexos como o oceano, a retirada de um único elo pode desencadear efeitos em cascata — e o peixe-lua, apesar da fama injusta, é um desses elos essenciais.
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