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quarta-feira, setembro 16, 2026

Arte gigante na areia transforma luto por Orelha em homenagem coletiva

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O cão comunitário Orelha, conhecido por fazer parte do cotidiano de moradores e frequentadores do litoral de Florianópolis, foi homenageado com uma obra de grandes proporções na Praia da Galheta. O retrato, com cerca de 40 metros de extensão, foi desenhado diretamente na areia na quarta-feira (28) pelo artista Clayton Balduino.

A intervenção artística surgiu como uma resposta simbólica à morte do animal, vítima de maus-tratos no início de janeiro. Em publicação nas redes sociais, o artista explicou o significado da obra e a motivação por trás do gesto.

“Orelha fazia parte da paisagem viva: dos passos lentos, dos olhares gentis, da convivência silenciosa entre humanos e natureza. Sua partida, marcada pela violência, nos convoca a refletir sobre o cuidado, o respeito e a responsabilidade que temos com todas as formas de vida”, escreveu.

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Arte como expressão e denúncia

Em entrevista, Clayton contou que atua há mais de uma década com land art, vertente artística que utiliza a própria paisagem como suporte criativo, especialmente em praias. Segundo ele, o desenho levou cerca de duas horas e meia para ser concluído e foi realizado integralmente por ele, desde a concepção até o registro das imagens.

“Fui eu mesmo que fiz a arte e também a captação das imagens. Tudo ali tem a ver com as minhas ideias. Fico muito feliz com a repercussão positiva e por estar contribuindo com essa causa, que acabou se tornando algo global, diante de um fato tão triste”, afirmou.

A Praia da Galheta, apontada pelo artista como seu principal “ateliê ao ar livre”, costuma receber esse tipo de intervenção, assim como a Praia do Santinho. Desta vez, porém, a escolha do tema trouxe um peso emocional diferente.

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Do cotidiano à comoção pública

Orelha — também chamado de Preto por moradores — vivia há mais de dez anos na região da Praia Brava e era cuidado pela comunidade local, incluindo pescadores e frequentadores da área. Após sofrer agressões, foi encontrado ferido em uma área de mata e levado para atendimento veterinário, mas não resistiu.

O caso ganhou repercussão nacional e segue sob investigação da Polícia Civil. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos ao longo da semana, com apreensão de celulares e apuração de possíveis tentativas de coação de testemunhas. Quatro adolescentes são investigados pelo espancamento do animal, e, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente, suas identidades não são divulgadas.

Ao transformar a areia da praia em tela, a homenagem a Orelha extrapolou o campo artístico e se consolidou como um gesto público de memória, reflexão e pedido de responsabilidade coletiva diante da violência contra animais.

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