Um fenômeno incomum chamou a atenção de astrônomos e fotógrafos no sul do Brasil nesta semana. Após uma tempestade solar considerada a mais intensa das últimas duas décadas, luzes coloridas surgiram no céu do Cambará do Sul, em um evento que pode estar associado a uma aurora austral — versão do espetáculo luminoso mais conhecido no hemisfério norte como aurora boreal.
O registro foi feito na noite da última terça-feira (20) pelo fotógrafo Egon Filter. As imagens mostram tons arroxeados e rosados próximos ao horizonte, contrastando com o céu estrelado da Serra Gaúcha. Segundo o autor, o fenômeno não pôde ser visto a olho nu e só se revelou após o uso de técnicas de longa exposição.
Tempestade solar ampliou área de visibilidade
De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, a intensidade da explosão solar permitiu que partículas carregadas atingissem regiões fora das zonas polares, onde auroras costumam ocorrer. O fenômeno foi breve, durando apenas alguns minutos, e apareceu entre referências celestes do hemisfério sul.
Especialistas explicam que, em condições normais, o campo magnético da Terra bloqueia esse tipo de interação em latitudes mais baixas. No entanto, a força excepcional da tempestade geomagnética ampliou temporariamente essa faixa de influência.
Papel da Anomalia Magnética do Atlântico Sul
Outro fator decisivo para a ocorrência no Brasil é a chamada Anomalia Magnética do Atlântico Sul, região onde o escudo magnético do planeta é naturalmente mais fraco. Isso facilita a entrada de partículas solares na atmosfera, aumentando a chance de manifestações luminosas raras.
Em entrevista à CNN Brasil, o astrofísico Cássio Leandro Barbosa, da FEI, explicou que a posição geográfica do município favorece esse tipo de observação em eventos extremos. “Cambará é uma ponta bem sul”, afirmou, destacando que a longitude e a latitude ajudam a tornar o fenômeno tecnicamente possível.
Ainda assim, ele pondera que existe a possibilidade de o registro corresponder a uma luminescência atmosférica natural intensificada pela atividade solar, e não a uma aurora clássica.
Episódios semelhantes já ocorreram no país
Embora raros, eventos desse tipo já foram documentados no Brasil. Em 1875, o astrônomo Emmanuel Liais, então diretor do Observatório Imperial, descreveu luzes avermelhadas e esverdeadas no céu do Rio de Janeiro. Estudos recentes resgataram esse episódio histórico como evidência de que auroras em latitudes tropicais podem ocorrer em situações extremas.
Monitoramento segue em alerta
Além do espetáculo visual, tempestades geomagnéticas podem causar impactos práticos, como interferências em sistemas de comunicação, navegação por satélite e redes elétricas. Por isso, agências espaciais internacionais seguem monitorando a atividade solar de forma contínua.
O registro no Rio Grande do Sul reforça que, embora incomuns, fenômenos associados às auroras podem se manifestar no Brasil quando o Sol entra em períodos de atividade intensa — transformando o céu, ainda que por instantes, em um palco de luzes raras.
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