Um resort localizado em Ribeirão Claro, construído por familiares do ministro Dias Toffoli, entrou no centro de uma controvérsia após reportagem apontar a existência de um espaço de apostas no local. O Resort Tayayá teria oferecido máquinas eletrônicas e mesas de jogos de cartas valendo dinheiro, incluindo partidas de blackjack — modalidade proibida no Brasil.
Segundo a apuração, o espaço dispõe de equipamentos conhecidos como “vídeo loterias”, além de mesas com dealer. A reportagem afirma ter observado funcionamento após o horário oficial de encerramento e ausência de controle rígido de acesso, inclusive com circulação de crianças no ambiente.
Vínculos societários e eventos privados
Embora o nome do ministro não conste como proprietário em registros recentes, funcionários teriam se referido a Toffoli como associado ao empreendimento. O local teria sido utilizado para um evento privado no fim de 2025, quando o resort já havia sido vendido por parentes do ministro a um advogado ligado à J&F.
Antes disso, participações do hotel passaram por um fundo com investimento de Fabiano Zettel, empresário citado como cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master — instituição que figura em investigação no Supremo Tribunal Federal, na qual Toffoli atua como relator.
++ Verstappen mantém topo financeiro da F1 em 2025 mesmo sem o título mundial
Legalidade em debate
A legislação brasileira proíbe jogos de azar presenciais. Em 2020, o STF decidiu, na ADPF 492, que estados podem explorar “vídeo loterias”. O voto vencedor foi relatado pelo ministro Gilmar Mendes, acompanhado por Toffoli. Ainda assim, jogos de cartas com apostas em dinheiro e a presença de dealer permanecem vedados pelas normas atuais.
Estrutura e funcionamento descritos
O ambiente descrito reproduz estética típica de cassinos, com iluminação artificial e luzes de neon. O resort fica às margens da Represa de Xavantes, possui ampla estrutura de lazer e diárias que podem chegar a R$ 2 mil. O acesso inclui logística aérea e traslado por helicóptero em determinados casos.
Defesa se manifesta
Procurado, o advogado Paulo Humberto negou a existência de jogos ilegais. “Em relação à jogatina, os jogos existentes no Tayayá são autorizados pela loteria do estado. Quanto aos jogos de cartas, as mesas disponíveis são para diversão dos próprios hóspedes, que jogam de truco a pôquer. Não há interferência nem incentivo à jogatina”, afirmou.
O caso amplia o debate sobre limites regulatórios, fiscalização e conflitos de interesse, e deve seguir sob análise das autoridades competentes à luz das informações apresentadas e das respostas formais do empreendimento.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



