17.6 C
São Paulo
quarta-feira, setembro 16, 2026

Terapia com mRNA inspirada nas vacinas da Covid mostra avanço no combate ao câncer de pele

Leia mais

A tecnologia que ganhou destaque mundial durante a pandemia de Covid-19 agora desponta como uma possível aliada no tratamento do câncer de pele. Um estudo clínico recente indica que uma terapia experimental baseada em RNA mensageiro (mRNA), quando combinada a um imunoterápico já aprovado, pode reduzir de forma significativa o risco de o melanoma voltar ou evoluir para óbito.

Diferentemente das vacinas tradicionais, o novo tratamento não segue um modelo padronizado. A proposta é personalizar a terapia a partir das características genéticas do tumor de cada paciente, treinando o sistema imunológico para reconhecer e atacar células cancerígenas específicas.

Como funciona a terapia personalizada

O medicamento experimental, chamado intismeran autogene, está sendo desenvolvido pela Moderna em parceria com a Merck. Nos testes, ele foi administrado em conjunto com o Keytruda, um imunoterápico já utilizado no tratamento de diferentes tipos de câncer.

O processo começa com a análise do DNA do tumor retirado do paciente. A partir desse material genético, os pesquisadores identificam mutações específicas do melanoma. O mRNA é então programado para levar essas informações ao sistema imunológico, ensinando o organismo a reconhecer as células do câncer como alvos. O Keytruda atua reforçando e prolongando essa resposta imune.

++ Aliados dizem reunir 145 assinaturas por prisão domiciliar de Bolsonaro

Resultados após cinco anos de acompanhamento

O estudo acompanhou 157 pacientes cujo melanoma havia retornado ou se espalhado após cirurgia. Parte do grupo recebeu apenas o Keytruda, enquanto os demais foram tratados com a combinação do imunoterápico e da terapia com mRNA.

Após cinco anos, os resultados mostraram que os pacientes submetidos ao tratamento combinado apresentaram uma redução de aproximadamente 49% no risco de recorrência da doença ou de morte, em comparação aos que usaram apenas o medicamento padrão.

Segurança e próximos passos

De acordo com a Moderna, o perfil de segurança da terapia experimental foi semelhante ao do Keytruda isoladamente. Os efeitos colaterais mais frequentes incluíram fadiga, dor no local da aplicação e calafrios, sem aumento expressivo de eventos adversos graves.

Apesar do entusiasmo, especialistas pedem cautela. Em entrevistas ao Washington Post, pesquisadores destacaram que os dados ainda precisam ser confirmados em um estudo maior, já em andamento, com novos resultados previstos para 2026. Essa próxima etapa será decisiva para avaliar a eficácia do tratamento em larga escala e seu potencial de aprovação regulatória.

++ Butantan amplia testes da vacina da dengue e convoca idosos para nova fase clínica

Impacto potencial contra o melanoma

O melanoma é considerado o tipo mais agressivo de câncer de pele. Nos Estados Unidos, são registrados mais de 100 mil novos casos por ano. Quando diagnosticada precocemente, a doença apresenta taxa de sobrevivência em cinco anos próxima de 95%. No entanto, esse índice cai para cerca de 35% quando o câncer se espalha para outros órgãos.

Caso os resultados se confirmem, a terapia com mRNA pode representar um novo caminho no combate ao melanoma, unindo personalização, imunoterapia e uma tecnologia que já se mostrou eficaz em escala global durante a pandemia.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias