A Meta inicia nesta semana uma reestruturação ampla no Reality Labs, divisão criada para tocar os projetos de realidade virtual, realidade aumentada e metaverso. A mudança inclui cortes que podem superar mil postos de trabalho — um enxugamento estimado em cerca de 10% da área — e sinaliza uma virada de prioridade do CEO Mark Zuckerberg, que vem direcionando recursos para a inteligência artificial (IA).
Segundo relatos obtidos pela imprensa internacional, funcionários afetados começaram a ser notificados a partir da manhã desta terça-feira (13). A redução deve atingir principalmente times ligados à realidade virtual e à rede social imersiva Horizon Worlds, que concentram parte das apostas mais ambiciosas (e também mais caras) da estratégia do metaverso.
Nos bastidores, o recado é de urgência. Um memorando interno atribuído ao diretor Andrew Bosworth — executivo que supervisiona o Reality Labs — convocou uma reunião presencial descrita como a “mais importante” do ano, prevista para quarta-feira (14). A expectativa é que o encontro detalhe o novo desenho da divisão e o direcionamento de investimentos a partir de 2026.
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Do metaverso para a IA
A guinada acontece após anos de perdas bilionárias no Reality Labs, área que nunca operou no azul desde que a Meta passou a tratá-la como aposta estratégica. Em análises de mercado que compilam os resultados reportados pela empresa, as perdas acumuladas da divisão já somam cerca de US$ 73 bilhões em poucos anos — pressão que há tempos incomoda investidores e reforça a cobrança por “disciplina” de gastos.
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Ao mesmo tempo, a Meta tenta preservar (e acelerar) projetos que conectem IA a produtos mais “palpáveis” para o público. Um exemplo são os óculos inteligentes feitos com a Ray-Ban: a parceira EssilorLuxottica já informou que o dispositivo ultrapassou 2 milhões de pares vendidos desde o lançamento, o que fortaleceu a aposta em wearables como ponte para a “superinteligência” no cotidiano, em vez de mundos totalmente virtuais.
A estratégia, na prática, troca a narrativa de um futuro imersivo e distante por entregas mais imediatas: mais infraestrutura de computação, mais produtos com IA embarcada e um Reality Labs menor — com foco crescente no que pode escalar e monetizar antes.
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