O empresário Elon Musk afirmou que a Neuralink iniciará, em 2026, a produção em larga escala de seus chips cerebrais. Segundo ele, a expansão virá acompanhada de uma mudança relevante no método de implantação, que passará a ser feito por um processo “quase totalmente automatizado”.
O anúncio foi publicado pelo próprio Musk na quarta-feira (31/12), em sua conta na rede social X. “A Neuralink iniciará a produção em larga escala de dispositivos de interface cérebro-computador e passará a adotar um procedimento cirúrgico simplificado e quase totalmente automatizado em 2026”, escreveu o bilionário.
De acordo com Musk, uma das inovações centrais está na forma como os fios ultrafinos do implante interagem com o cérebro. Eles atravessariam a dura-máter — a camada externa e mais resistente que protege o órgão — sem a necessidade de removê-la. “Isso é muito importante”, destacou.
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Testes em humanos e funcionamento do implante
Os chips da Neuralink começaram a ser testados em humanos em 2024, após autorização da Food and Drug Administration (FDA), responsável pela regulação de medicamentos e dispositivos médicos nos Estados Unidos.
O dispositivo, do tamanho aproximado de uma moeda, é implantado diretamente no cérebro e conectado por fios microscópicos capazes de captar sinais neurais. A proposta é permitir que pessoas com paralisia consigam interagir com computadores, braços robóticos e outros equipamentos apenas com a atividade cerebral.
A tecnologia se baseia na chamada interface cérebro-computador (BCI, na sigla em inglês), que transforma impulsos neurais em comandos digitais. Embora esse conceito não seja inédito na neurociência, a Neuralink aposta em miniaturização, maior precisão e integração entre hardware e software para ampliar as aplicações.
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Resultados iniciais e críticas
No primeiro implante realizado pela empresa, o paciente conseguiu mover um cursor na tela de um computador apenas com o pensamento. Segundo Musk, cerca de 10 mil pessoas já manifestaram interesse em receber o chip, mas apenas 12 participam atualmente dos testes.
Apesar do otimismo do empresário, o projeto ainda enfrenta resistência de parte da comunidade científica. Especialistas apontam dúvidas sobre a segurança a longo prazo, os riscos éticos e a transparência dos dados divulgados pela empresa.
Mesmo assim, o anúncio da produção em escala industrial sinaliza que a Neuralink pretende deixar a fase experimental e avançar para um novo estágio, no qual a integração entre cérebro e tecnologia pode deixar de ser exceção para se tornar um procedimento mais difundido — ainda que cercado de debates e cautela.
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