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quarta-feira, setembro 16, 2026

Adeus a Eva Schloss, voz da memória do Holocausto e guardiã do legado de Anne Frank

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A educadora e ativista Eva Schloss morreu aos 96 anos, informou a Fundação Anne Frank UK, organização que ela ajudou a fundar no Reino Unido. Sobrevivente do Holocausto e meia-irmã póstuma de Anne Frank, Eva construiu uma trajetória marcada pela defesa da memória histórica e pelo combate ao preconceito.

Segundo o comunicado, a morte ocorreu no sábado (3/1). No dia seguinte, familiares falaram em “grande tristeza” pela perda de uma “mulher extraordinária, sobrevivente do campo de Auschwitz, educadora devotada sobre o Holocausto, incansável em seu trabalho pela memória, pela compreensão e pela paz”.

A repercussão foi imediata. A Casa Real britânica lamentou o falecimento, e o Charles III, que dançou com Eva em um evento em Londres em 2022, e a rainha Camila — madrinha da fundação — declararam estar “profundamente entristecidos”. “Tivemos o privilégio e o orgulho de tê-la conhecido e a admiramos profundamente”, diz a mensagem.

Criada por Eva em 1990, a Fundação Anne Frank UK tem como missão levar a jovens a história do Holocausto e promover a educação contra a intolerância. A iniciativa ampliou o alcance do testemunho de Eva em escolas, universidades e instituições pelo mundo.

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Uma vida atravessada pela História

Nascida Eva Geiringer, na Áustria, em 1929, ela ainda era criança quando o avanço nazista forçou sua família a fugir. Depois de passar pela Bélgica, estabeleceram-se em Amsterdã, nos Países Baixos, em frente à casa de Anne Frank. As duas tinham a mesma idade e brincavam juntas.

Com o endurecimento da perseguição, as famílias entraram na clandestinidade em 1942. Dois anos depois, Eva, a mãe Elfriede, o pai Erich e o irmão Heinz foram denunciados por um simpatizante nazista. Detidos no dia em que ela completou 15 anos, foram deportados para Auschwitz em maio de 1944. Eva sobreviveu ao cativeiro mantendo contato com a mãe; o pai e o irmão morreram no campo. Anne Frank morreu em 1945, em Bergen-Belsen.

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Libertada ainda em 1945, Eva se estabeleceu em Londres, onde estudou e conheceu o marido, Zvi Schloss. Em 1953, sua mãe casou-se com Otto Frank, pai de Anne, o que tornou Eva meia-irmã póstuma da autora do diário mais conhecido do Holocausto. O casal Schloss teve três filhas e obteve a cidadania britânica; em 2021, aos 92 anos, Eva também recuperou a nacionalidade austríaca.

Autora de livros e palestrante incansável, ela percorreu o mundo relatando sua experiência. Desde 2013, integrava a Ordem do Império Britânico. “Com mais de 90 anos, falou com paixão incansável, muitas vezes dando várias palestras por dia, inclusive em prisões e escolas”, afirmou Gillian Walnes, vice-presidente da fundação no Reino Unido. “O legado de Eva continua vivo nas vidas que tocou e na história que, com tanta coragem, manteve viva.”

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