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quarta-feira, setembro 16, 2026

Mercado de trabalho surpreende e desemprego atinge mínima histórica no Brasil

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O mercado de trabalho brasileiro encerrou novembro com um desempenho acima das expectativas. A taxa de desemprego caiu para 5,2% no trimestre móvel encerrado no mês, o menor nível desde o início da série histórica em 2012, segundo dados divulgados nesta terça-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O resultado ficou abaixo da projeção de economistas consultados pela Reuters, que estimavam uma taxa de 5,4%. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, a queda foi de 0,4 ponto percentual, enquanto a comparação anual mostra recuo de 0,9 ponto.

Mais pessoas trabalhando e ganhando mais

Além do desemprego em mínima histórica, o número de brasileiros ocupados alcançou um novo recorde: 103 milhões de pessoas estavam trabalhando no período analisado. Ao mesmo tempo, a população em busca de emprego recuou para 5,644 milhões, o menor contingente já registrado pela pesquisa.

O avanço foi acompanhado por uma melhora expressiva da renda. O rendimento real médio subiu 1,8% frente ao trimestre anterior e chegou ao valor recorde de R$ 3.574, reforçando a leitura de um mercado de trabalho ainda aquecido.

“O mercado de trabalho está conseguindo ganhos cumulativos mesmo com os juros altos”, afirmou Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas do IBGE. “A retenção dos trabalhadores, o aumento da renda e da massa e a própria inflação mais controlada, especialmente para alimentos, viraram uma espécie de escudo do mercado de trabalho para os juros altos”, acrescentou. A pesquisadora avaliou ainda que a taxa de dezembro pode ficar abaixo de 5%.

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Informalidade também recua

Outro dado considerado positivo foi a redução da informalidade. A taxa caiu para 37,7% da população ocupada, o equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores. No trimestre encerrado em agosto, esse percentual era de 38%, sinalizando uma leve, mas consistente, melhora na qualidade das ocupações.

Juros altos e resiliência do emprego

Os números ganham relevância em um contexto de política monetária restritiva. O Banco Central do Brasil mantém a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano — o maior patamar em duas décadas — como parte do esforço para levar a inflação à meta de 3%.

Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, em dezembro, o BC reconheceu que o mercado de trabalho segue “bastante apertado”, embora já apresente sinais iniciais de desaceleração. Ainda assim, economistas veem força persistente no emprego.

“O conjunto das informações aponta para um mercado de trabalho bastante aquecido”, avaliou Claudia Moreno, economista do C6 Bank, ao projetar que o desemprego deve permanecer abaixo de 6% ao longo de 2026.

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Perspectivas para 2026

Segundo o relatório Focus, que reúne estimativas do mercado financeiro, a expectativa é de que o Banco Central inicie um ciclo de cortes nos juros em março, com uma redução inicial de 0,5 ponto percentual. A projeção é que a Selic termine 2026 em torno de 12,25%.

Enquanto isso, os dados de novembro reforçam um cenário de resiliência do emprego no Brasil, com mais pessoas trabalhando, renda em alta e informalidade em leve retração — um conjunto que ajuda a sustentar a atividade econômica mesmo sob condições financeiras mais duras.

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