A inteligência artificial se tornou parte do cotidiano de milhões de pessoas, oferecendo respostas rápidas, imagens e textos em poucos segundos. O que costuma passar despercebido é o custo físico por trás dessas respostas, especialmente o consumo de água.
Ferramentas como ChatGPT, Google Gemini, Grok e DeepSeek operam em enormes data centers, estruturas que concentram milhares de servidores funcionando de forma contínua. Para evitar o superaquecimento desses equipamentos, sistemas de resfriamento utilizam grandes quantidades de água.
Quanto de água cada pergunta pode consumir
Um estudo da Universidade da Califórnia em Riverside apontou que, a cada 20 a 50 interações com sistemas de IA, são utilizados cerca de 500 ml de água nos processos de resfriamento. Isso equivale, em média, a algo entre 10 e 25 mililitros por pergunta.
O impacto se amplia quando se observa a escala. Levantamento do Exploding Topics indica que o ChatGPT soma mais de 1 bilhão de interações diárias em todo o mundo. Com base nesses números, um artigo da Universidade Federal de Santa Maria estima que o uso global de IA represente um consumo diário entre 10 e 25 milhões de litros de água.
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Onde a água entra na conta da IA
Segundo a economista Nicole Grossmann, especialista em IA formada pela Columbia University, o uso de água ocorre em diferentes níveis:
- nos próprios data centers, em torres de resfriamento e circuitos de água gelada
- na geração de energia elétrica, já que usinas termoelétricas também usam água para resfriamento
- na cadeia produtiva do hardware, especialmente na fabricação de chips e servidores
Comparação com o consumo no Brasil
No Brasil, a IA ainda está longe de ser a principal responsável pelo uso de recursos hídricos. Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico mostram que o país retira cerca de 90 trilhões de litros de água por ano, sendo que agricultura irrigada, abastecimento urbano e indústria respondem por aproximadamente 85% desse volume. Mesmo assim, a demanda total deve crescer cerca de 30% até 2040, o que coloca novas tecnologias no centro do debate ambiental.
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Caminhos para reduzir o impacto
Especialistas apontam que o consumo de água pela IA não é inevitável. Há data centers que já utilizam resfriamento por ar frio, circuitos fechados de líquidos, reaproveitamento de água e até sistemas de imersão com fluidos especiais.
“O desafio é tornar esse custo transparente e cada vez menor”, resume Grossmann. Para ela, conciliar a expansão da inteligência artificial com limites ambientais passa por reconhecer que a nuvem tem um preço físico — e garantir que ele não recaia sobre recursos hídricos já escassos em muitas regiões do planeta.
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