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quarta-feira, setembro 16, 2026

Ursos polares ativam “genes saltadores” para enfrentar o colapso do gelo

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O rápido derretimento do gelo marinho está impondo desafios inéditos aos ursos polares, mas uma população específica no sul da Groenlândia pode estar respondendo de forma surpreendente. Pesquisadores identificaram sinais de alterações genéticas aceleradas nesses animais, associadas ao aumento das temperaturas e à perda do habitat gelado.

A pesquisa aponta que o estresse ambiental vem estimulando a atividade de chamados “genes saltadores” — fragmentos de DNA capazes de se mover dentro do genoma e alterar a forma como outros genes funcionam. Esse mecanismo pode estar ajudando os ursos a se ajustarem, ao menos parcialmente, a um cenário cada vez mais hostil.

Segundo a autora principal do estudo, Alice Godden, da Universidade de Anglia, o fenômeno foi observado com clareza em um grupo que vive na porção mais quente da Groenlândia. “Mostramos, pela primeira vez, que um grupo único de ursos polares na parte mais quente da Groenlândia está usando ‘genes saltadores’ para reescrever rapidamente seu próprio DNA, o que pode ser um mecanismo de sobrevivência desesperado contra o derretimento do gelo marinho”, afirmou a pesquisadora em comunicado.

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Os genes saltadores — também conhecidos como transposons — já compõem uma parcela significativa do genoma de diversos organismos. Nos ursos polares, mais de um terço do DNA é formado por esses elementos. Dependendo de onde se inserem, eles podem modificar processos ligados ao metabolismo, ao envelhecimento e à resposta ao estresse.

Para chegar aos resultados, os cientistas compararam o material genético de 17 ursos polares adultos: 12 provenientes do nordeste da Groenlândia, região mais fria, e cinco do sudeste, onde as temperaturas são mais elevadas e o gelo marinho é mais instável. A análise revelou que, no grupo do sul, a atividade dos genes saltadores é significativamente maior e está associada a genes ligados ao controle térmico e ao processamento de gordura — um fator crucial em períodos de escassez de alimento.

Esses achados dialogam com pesquisas anteriores que já haviam identificado uma população isolada de ursos polares no sul da Groenlândia, menos dependente do gelo marinho para sobreviver. Separados de grupos do norte há cerca de dois séculos, esses animais apresentam características genéticas distintas, agora aprofundadas pelo novo estudo.

Apesar do potencial adaptativo observado, os cientistas fazem um alerta claro. As mudanças genéticas não significam que a espécie esteja fora de perigo. “Não podemos nos acomodar; isso oferece alguma esperança, mas não significa que os ursos polares estejam menos em risco de extinção”, destacou Godden. “Ainda precisamos fazer tudo o que pudermos para reduzir as emissões globais de carbono e desacelerar o aumento da temperatura.”

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Em um Ártico que aquece mais rápido do que qualquer outra região do planeta, a possível “evolução acelerada” desses ursos surge como um sinal de resistência — mas também como um lembrete de que a sobrevivência da espécie continua profundamente ligada ao futuro do clima global.

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