O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, pediu que seu governo analise a possibilidade de ampliar a cobertura do sistema público de saúde para tratamentos contra a queda de cabelo. A iniciativa reacendeu um debate nacional ao tratar a calvície como um problema que vai além da estética, especialmente entre jovens sul-coreanos.
Durante uma reunião recente, Lee argumentou que a perda de cabelo passou a representar uma questão social relevante, com impactos diretos na autoestima, na inserção profissional e na saúde mental. Para ele, o tema pode ser encarado como uma “questão de sobrevivência” em um contexto de forte pressão social sobre a aparência.
Atualmente, o sistema de saúde sul-coreano é universal e financiado por contribuições proporcionais à renda. No entanto, a cobertura para queda de cabelo é restrita a situações consideradas médicas, como a alopecia areata. A calvície hereditária, mais comum entre homens, é classificada como condição estética e, por isso, os tratamentos precisam ser pagos integralmente pelos pacientes.
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“Pode haver jovens que considerem injusto pagar o seguro de saúde e não receber nenhum retorno”, afirmou o presidente, ao justificar a necessidade de rever os critérios adotados pelo sistema.
A proposta, no entanto, encontrou resistência imediata. Entidades médicas alertam que a ampliação da cobertura pode desviar recursos de áreas consideradas prioritárias. A Associação Médica Coreana defendeu que o orçamento do seguro de saúde deve ser direcionado principalmente ao tratamento de doenças graves, como o câncer e enfermidades crônicas.
Setores conservadores também reagiram com críticas, classificando a iniciativa como populista e financeiramente arriscada. O debate ocorre em um momento delicado para o sistema público de saúde, que pode enfrentar déficits expressivos nos próximos anos. Estimativas oficiais indicam que o rombo pode chegar a 4,1 trilhões de won até 2026.
A discussão também expõe a forte pressão estética presente na sociedade sul-coreana. Pesquisas recentes mostram que a aparência física é vista como fator decisivo para oportunidades sociais e profissionais. Embora o tema seja mais frequentemente associado às mulheres, a calvície masculina tem ganhado visibilidade como fonte de insegurança e estigmatização entre jovens.
O mercado de tratamentos contra a queda de cabelo no país movimentou cerca de 188 bilhões de won em 2024, evidenciando a dimensão econômica do problema. Ainda assim, autoridades do governo admitem que qualquer mudança na cobertura exigirá estudos aprofundados.
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A ministra da Saúde, Jeong Eun Kyeong, afirmou que a proposta precisará passar por uma avaliação ampla, considerando impactos financeiros e critérios de prioridade no atendimento público.
Não é a primeira vez que Lee levanta o tema. Em 2022, durante sua campanha presidencial, ele já havia defendido a inclusão do tratamento contra calvície no sistema público, mas recuou após críticas. Agora, no exercício do cargo, o presidente recoloca a discussão na agenda, reacendendo um debate que mistura saúde, economia e padrões sociais.
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