18.2 C
São Paulo
quarta-feira, setembro 16, 2026

EUA miram robôs humanoides como linha de frente em missões militares

Leia mais

Uma empresa de robótica do Vale do Silício quer acelerar a entrada de robôs humanoides no cotidiano das forças armadas. A Foundation, startup sediada em San Francisco, anunciou planos para produzir dezenas de milhares dessas máquinas até o fim de 2027, mirando tanto aplicações industriais quanto missões militares consideradas perigosas demais para soldados humanos.

O projeto gira em torno do Phantom MK-1, um robô humanoide com cerca de 1,75 metro de altura e peso próximo de 180 quilos. Diferentemente de protótipos pensados apenas para fábricas ou laboratórios, o modelo foi desenhado desde o início para atuar em cenários hostis. A proposta é que ele execute tarefas “adjacentes ao combate”, como reconhecimento de áreas, operações em solo instável e desativação de explosivos.

Segundo o CEO da Foundation, Sankaet Pathak, a ambição é clara: fazer com que os robôs sejam o “primeiro corpo a entrar” em missões arriscadas, diminuindo a exposição direta de militares. A ideia se apoia em um cronograma agressivo de produção. A empresa planeja colocar cerca de 40 unidades em operação ainda este ano, escalar para 10 mil robôs em 2026 e atingir a marca de 50 mil até o final de 2027.

++ Ele vendou os olhos para provar que conseguia confeitar um bolo sem enxergar

Para sustentar esse ritmo, a startup afirma ter antecipado investimentos em inteligência artificial, atuadores e cadeia de suprimentos. A equipe de liderança reúne profissionais que já passaram por empresas como Tesla, Boston Dynamics e SpaceX. No comando da manufatura, por exemplo, está um executivo que participou da expansão das linhas de produção dos modelos Model X e Model Y da Tesla, experiência que influenciou a decisão de evitar automação excessiva nas fases iniciais.

O modelo de negócios também foge do padrão tradicional. Em vez de vender os robôs, a Foundation pretende alugá-los. Cada unidade poderia custar cerca de US$ 100 mil por ano, valor que, segundo a empresa, se justificaria pela capacidade de operação quase contínua, substituindo múltiplos turnos humanos. Na prática, porém, essa conta depende de níveis de eficiência que robôs humanoides ainda não comprovaram fora de ambientes altamente controlados.

No campo técnico, o Phantom MK-1 foi projetado com escolhas pensadas para o uso militar. Ele se apoia principalmente em câmeras, em vez de sensores mais complexos como LiDAR, buscando maior simplicidade e confiabilidade em situações adversas. Os atuadores cicloidais proprietários prometem força elevada, funcionamento silencioso e movimentos reversíveis, o que facilitaria a atuação próxima a pessoas.

++ PF mira esquema de apostas ilegais e investiga irmã de Deolane após apreensão de Porsches

Apesar do foco em defesa, a Foundation afirma impor limites claros à autonomia das máquinas. A empresa defende um modelo de “humano no controle”, semelhante ao já utilizado em drones militares. Nesse arranjo, o robô cuida da locomoção e da navegação, enquanto decisões críticas — especialmente aquelas com potencial letal — permanecem sob responsabilidade de operadores humanos.

Entre os usos previstos estão reconhecimento e coleta de informações em áreas perigosas, desativação de bombas, operações terrestres de alto risco, apoio logístico e redução da exposição direta de soldados. A startup sustenta que robôs humanoides poderiam permitir ações mais precisas no solo, diminuindo a dependência de ataques aéreos e armamentos pesados, o que, em tese, reduziria danos colaterais.

Especialistas em ética e segurança, no entanto, apontam um dilema. Ao retirar humanos da linha de frente, o custo político de empregar força militar pode cair, o que paradoxalmente tornaria conflitos mais fáceis de iniciar. Ainda não há consenso se essa nova geração de robôs diminuirá vítimas ou alterará a dinâmica de escalada militar.

O que já parece menos distante é a transição dos humanoides do discurso futurista para o uso real. Se os planos da Foundation se concretizarem, robôs caminhando em zonas de conflito podem deixar de ser ficção científica em um prazo mais curto do que muitos imaginavam.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias