Três anos depois de protagonizar um dos episódios mais comentados do país, Givaldo Alves voltou a falar publicamente. Conhecido nacionalmente como o “mendigo do amor”, ele reapareceu em um vídeo gravado durante sua internação em uma comunidade terapêutica no Distrito Federal, onde afirma viver um processo profundo de transformação pessoal.
Givaldo está acolhido há mais de dois anos na Comunidade Terapêutica Vinde Vida, localizada na região da Ponte Alta, no Gama. A instituição de orientação cristã atua na recuperação e reintegração social de pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo dependentes químicos. Segundo ele, o período de internação foi decisivo para romper com hábitos do passado e lidar com traumas acumulados ao longo dos anos nas ruas e após a exposição nacional.
“Aquela bagagem suja de bebida, cigarro e mulheres, tudo isso ficou para trás, me tornei sozinho. Tudo o que ocorreu me trouxe medo, dor e traumas. Cheguei a perder a confiança nas pessoas e a não saber se existia um amanhã”, relatou.
O ex-morador de rua ganhou notoriedade em março de 2022, quando foi agredido por um personal trainer após ser encontrado mantendo relações sexuais com a então esposa dele dentro de um carro, em Planaltina. As imagens da violência circularam nas redes sociais e desencadearam um debate nacional envolvendo saúde mental, vulnerabilidade social e justiça. Na época, exames médicos indicaram que a mulher enfrentava um surto psicótico decorrente de transtorno afetivo bipolar.
Com a repercussão do caso, Givaldo passou, em poucos dias, do anonimato à fama repentina. Frequentou programas de televisão, podcasts e eventos, circulou em ambientes de luxo e chegou a ser visto dirigindo carros importados. O brilho, no entanto, foi passageiro. Pouco tempo depois, ele se afastou completamente da mídia e apagou suas redes sociais.
No relato recente, Givaldo afirmou que a mudança começou quando decidiu aceitar ajuda. “Fui espiritualmente liberto de um jugo pesado. Aqui tive a chance de ser uma nova pessoa, com novas experiências”, disse. Ele também descreveu episódios de violência vividos nas ruas, como agressões enquanto dormia e expulsões constantes de espaços públicos.
Atualmente, além do processo de recuperação, Givaldo atua na rouparia da comunidade terapêutica, setor responsável por receber e organizar doações. Para ele, a atividade representa uma forma de retribuir o acolhimento recebido. “Às vezes, temos tanto, enquanto existem tantas pessoas precisando só de um pouquinho.”
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Ao refletir sobre a fama repentina, ele questionou a ideia de que teria tido “oportunidades” naquele período. “Eu me perguntava quais oportunidades eram essas. Hoje entendo que a verdadeira oportunidade foi chegar até aqui”, afirmou.
Longe das polêmicas e da exposição, Givaldo diz viver um processo contínuo de reconstrução. “O amor é imensurável. Só entende quem vive. É algo que completa e dá segurança”, concluiu.
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