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quarta-feira, setembro 16, 2026

Polícia dos EUA testa retrato falado por IA e reacende debate sobre uso da tecnologia em investigações

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A Polícia de Goodyear, no Arizona, passou a utilizar inteligência artificial para produzir retratos falados em casos criminais, substituindo o processo manual que há décadas guia investigações nos Estados Unidos. A iniciativa, apresentada ao público na divulgação de um suspeito de tentar assaltar um passageiro e atirar contra o veículo da vítima, rapidamente gerou repercussão e críticas.

O material divulgado mostra o homem vestindo um gorro e moletom, com um cavanhaque cuidadosamente detalhado pela ferramenta digital. A corporação incluiu um alerta explícito abaixo da imagem: “Esta imagem gerada por IA é baseada no depoimento de vítimas/testemunhas e não representa uma pessoa real.”

Segundo o artista forense Mike Bonasera, responsável pela condução do processo, a mudança reflete uma demanda por materiais visuais que chamem mais atenção do público em um ambiente cada vez mais digital. Ele afirmou ao Washington Post que a IA, nesse contexto, representa “um caminho natural” para a evolução da área.

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Especialistas alertam para riscos

O uso policial de IA nos EUA já se estende a análises de evidências, produção de relatórios e sistemas de reconhecimento facial — um histórico que, para pesquisadores de privacidade e direitos civis, acende sinais de alerta. Críticos ouvidos pelo Washington Post afirmam que representações artificiais podem introduzir distorções, reforçar vieses e comprometer etapas já consideradas sensíveis dentro de investigações criminais.

Bonasera, entretanto, rejeita a preocupação. Para ele, o risco de imprecisão não difere do que já existe em técnicas tradicionais, e os avanços recentes tornam a tecnologia cada vez mais controlável e previsível.

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A polícia confirmou que o método já foi empregado em dois casos distintos na cidade, embora nenhum deles tenha levado à identificação ou prisão dos suspeitos.

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