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quarta-feira, setembro 16, 2026

Roubo no Louvre expõe falhas críticas e ladrões escapam por 30 segundos, revela investigação

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Um relatório conduzido pelo Ministério da Cultura da França trouxe novas luzes — e muitas sombras — sobre o ousado roubo às joias da coroa no Museu do Louvre, ocorrido em 19 de outubro. Segundo a investigação, os criminosos só conseguiram fugir porque a polícia chegou ao local com 30 segundos de atraso. Em menos de dez minutos, o grupo conseguiu entrar, retirar as peças e desaparecer de motocicleta pelas ruas de Paris.

As conclusões apresentadas à comissão de cultura do Senado francês descrevem uma sucessão de falhas que comprometeram a proteção do museu. Apenas uma das duas câmeras dedicadas à área do assalto estava funcionando no momento da invasão. Para piorar, a equipe responsável pela vigilância não tinha monitores suficientes para acompanhar todas as imagens. O resultado foi uma leitura equivocada do alarme e o envio de policiais ao endereço errado.

Laurent Lafon, presidente da comissão, classificou a situação como “uma falha geral do museu e de sua autoridade supervisora”, chamando atenção para a fragilidade de um patrimônio mundialmente conhecido pela sua relevância cultural e histórica.

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Alerta ignorado desde 2019

O relatório também confirma que vulnerabilidades já haviam sido identificadas anos antes. Uma auditoria de segurança de 2019, conduzida por especialistas da joalheria Van Cleef & Arpels, apontava o mesmo ponto utilizado pelos ladrões: um balcão voltado para o rio Sena acessível com o uso de uma escada extensível. Nada foi feito desde então.

Noël Corbin, responsável pela investigação atual, foi categórico: “Com uma margem de erro de 30 segundos, os seguranças privados ou a polícia poderiam ter impedido a fuga.” Ele defendeu a necessidade urgente de sistemas de segurança mais modernos, vidros reforçados e melhor coordenação interna.

A diretora do Louvre, Laurence des Cars, afirmou não ter sido informada sobre a auditoria anterior, realizada ainda na gestão de Jean-Luc Martinez — um ponto que aumentou as críticas sobre a falta de comunicação entre direções sucessivas.

Pressão crescente e crise interna

A polícia afirma já ter capturado os quatro suspeitos do assalto, mas nenhuma das joias desaparecidas foi recuperada até o momento. A revelação das falhas expôs descontentamento dentro da instituição e ampliou a pressão política sobre Des Cars, primeira mulher a dirigir o Louvre desde sua nomeação por Emmanuel Macron, em 2021.

Além das questões de segurança, o museu atravessa um momento delicado. Funcionários anunciaram greve para a próxima segunda-feira, alegando sobrecarga de trabalho e falta de pessoal — um problema agravado pelo recorde de 8,7 milhões de visitantes no último ano.

Para completar o cenário, veio à tona que um vazamento de água danificou recentemente entre 300 e 400 documentos do departamento egípcio, alimentando ainda mais a percepção de que a instituição enfrenta problemas estruturais profundos.

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Investigação continua

A Câmara Baixa do Parlamento francês conduz uma apuração paralela. Laurence des Cars e Jean-Luc Martinez serão ouvidos na próxima semana. Um auditor do Estado classificou o ritmo das atualizações de segurança como “lamentavelmente inadequado”, acusando o museu de priorizar projetos de grande visibilidade em detrimento da proteção de seu acervo.

Guy Tubiana, consultor de segurança envolvido no inquérito, resumiu o sentimento de surpresa geral: “Eu jamais imaginaria que o Louvre pudesse ter tantas falhas.”

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