17.6 C
São Paulo
quarta-feira, setembro 16, 2026

Brasileiro ganha destaque mundial por estratégia que reduz dengue e entra na lista dos cientistas do ano

Leia mais

O nome do agrônomo mineiro Luciano Andrade Moreira, pesquisador do World Mosquito Program (WMP), passou a ocupar um lugar de prestígio na ciência internacional. Ele é o único brasileiro entre as dez personalidades destacadas pela Nature em 2025 — seleção anual que reúne pesquisadores e líderes cujas ações moldaram avanços científicos ao longo do ano.

A escolha se deve ao impacto global de sua principal linha de trabalho: a liberação de mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia, que impede o inseto de transmitir vírus como dengue, zika e chikungunya. Desenvolvida inicialmente na Austrália, a técnica ganhou escala e potência no Brasil sob sua coordenação, tornando-se uma das abordagens mais promissoras para controlar doenças tropicais.

A estratégia funciona de forma simples e duradoura. Ao se reproduzir com mosquitos locais, os Aedes com Wolbachia disseminam a bactéria na população de insetos, reduzindo drasticamente a capacidade de transmissão viral. Para atender essa demanda, o país conta hoje com uma biofábrica capaz de produzir mais de 80 milhões de ovos por semana, segundo a Nature.

++ Lula sanciona endurecimento das penas para crimes sexuais contra vulneráveis

Resultados que mudam cenários epidemiológicos

O método tem demonstrado impacto consistente no mundo real. Em Niterói (RJ), um estudo recente registrou queda de cerca de 89% nos casos de dengue após a implementação da estratégia. Outros municípios brasileiros já iniciam expansões semelhantes, diante de epidemias cada vez mais intensas e prolongadas.

Para a comunidade científica internacional, o trabalho de Moreira é simbólico: representa o raro momento em que uma solução de base biológica, barata e ambientalmente sustentável sai da bancada e se transforma rapidamente em política pública com efeito direto na vida da população.

++ Planalto vê candidatura de Flávio Bolsonaro como trunfo para Lula em 2026

Os outros nomes que definiram a ciência em 2025

A lista Nature’s 10 reúne perfis que marcaram o ano por diferentes frentes — da geopolítica sanitária à exploração oceânica. Entre eles estão:

  • Susan Monarez (EUA) – Referência mundial em integridade científica após resistir a pressões políticas durante o governo Trump.

  • Precious Matsoso (África do Sul) – Responsável pelas negociações do primeiro tratado global de preparação para pandemias.

  • Achal Agrawal (Índia) – Investigou fraudes acadêmicas e provocou reformas na avaliação universitária do país.

  • Liang Wenfeng (China) – Criador do DeepSeek, um modelo de linguagem de última geração lançado com pesos abertos.

  • Mengran Du (China) – Liderou uma expedição que levou um submersível a quase 9 mil metros, revelando um ecossistema inédito.

  • Sarah Tabrizi (Reino Unido) – Desenvolveu terapia capaz de retardar a progressão da doença de Huntington.

  • KJ Muldoon (EUA) – Tornou-se o primeiro paciente com aparente cura alcançada por edição genética.

  • Yifat Merbl (Israel) – Descobriu nova função de proteassomas na produção de peptídeos antimicrobianos.

  • Tony Tyson (EUA) – Físico que idealizou o Observatório Vera Rubin, no Chile, há mais de três décadas.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias