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quarta-feira, setembro 16, 2026

Boom da inteligência artificial eleva salários e transforma canteiros de data centers em novo filão da construção civil

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A expansão acelerada da inteligência artificial tem provocado um efeito colateral inesperado: o surgimento de um dos melhores mercados de trabalho da construção civil nos Estados Unidos. A corrida por novos data centers, estruturas essenciais para suportar a demanda computacional de Amazon, Google, Microsoft e outras empresas, transformou antigos operários em profissionais altamente disputados — e bem remunerados.

Segundo levantamento citado pelo The Wall Street Journal, trabalhadores que migraram para essas obras estão registrando aumentos de 25% a 30% em comparação aos empregos anteriores. Em muitos casos, os ganhos ultrapassam a faixa tradicional de remuneração do setor e chegam a cifras antes associadas apenas a cargos técnicos avançados.

Carreiras viram de ponta-cabeça com o salto dos salários

O jornal destaca histórias que ilustram a mudança. Um desses exemplos é DeMond Chambliss, 51 anos, que deixou um pequeno negócio de drywall em Ohio para assumir a supervisão de mais de 200 operários em um canteiro destinado a um grande data center. Sua renda anual agora ultrapassa US$ 100 mil, uma virada completa em sua trajetória profissional.

Casos ainda mais expressivos mostram o tamanho do impacto desse mercado emergente:

  • Marc Benner, 60 anos, especialista em segurança elétrica no Oregon, recebe cerca de US$ 225 mil por ano;

  • Andrew Mason, eletricista responsável por seis instalações na Virgínia do Norte, supera os US$ 200 mil anuais.

Para muitos desses trabalhadores, o setor de data centers representa a melhor oportunidade financeira da carreira.

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Incentivos inéditos para suprir mão de obra escassa

A valorização não se limita ao salário. Diante da falta de profissionais qualificados, empresas envolvidas nessas construções passaram a oferecer incentivos cada vez mais agressivos, como:

  • barracas aquecidas durante o inverno para pausas;

  • bônus diários;

  • refeições gratuitas;

  • pagamentos extras de até US$ 100 por dia;

  • vagas de gestão e supervisão em regime remoto.

Eletricistas figuram entre os profissionais mais difíceis de contratar — uma profissão que se tornou essencial em instalações que exigem alta precisão, segurança e carga energética contínua.

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A demanda é gigantesca — e ainda está crescendo

O motivo da corrida é simples: a IA consome uma quantidade colossal de energia e processamento. Quanto mais avançados os modelos, maior a necessidade de infraestrutura. Só a Amazon anunciou US$ 15 bilhões em investimentos para erguer novos data centers no norte de Indiana, enquanto outras big techs disputam terrenos, mão de obra e fornecedores.

Ao mesmo tempo, o setor de construção relata uma escassez de 439 mil profissionais qualificados, especialmente eletricistas e encanadores — um gargalo que impulsiona salários e melhora condições de trabalho.

Data centers viram o “novo ouro” da construção civil

O desequilíbrio entre necessidade urgente e falta de trabalhadores especializados criou um cenário sem precedentes. Para muitos operários, participar dessas obras significa estabilidade, valorização profissional e remuneração elevada — um contraste marcante com a realidade do setor apenas alguns anos atrás.

Enquanto a inteligência artificial continua transformando indústrias inteiras, um de seus efeitos mais imediatos tem ocorrido longe das telas: nos canteiros de obras, onde milhares de trabalhadores estão experimentando uma ascensão econômica improvável.

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