Um grande levantamento internacional revelou um cenário que preocupa especialistas em saúde: três em cada quatro pessoas no mundo não ingerem a quantidade ideal de ômega-3. O estudo, realizado pela University of East Anglia (UEA), pela University of Southampton e pela rede Holland & Barrett, reuniu dados de diferentes faixas etárias e cruzou recomendações oficiais com o consumo real da população — e o resultado mostra um déficit global significativo.
Segundo o relatório, a maioria das pessoas não alcança os níveis adequados de EPA e DHA, os ácidos graxos essenciais associados ao bom funcionamento do corpo. A professora Anne Marie Minihane, da UEA, afirma que o estudo evidencia “grandes lacunas entre o que é aconselhado e o que realmente consumimos”, ressaltando que alternativas como alimentos enriquecidos e suplementação podem ajudar a reduzir esse déficit.
Por que o consumo é tão baixo?
Os pesquisadores destacam que esta é a primeira análise a consolidar recomendações de ômega-3 para todas as etapas da vida em escala global. O estudo revela um conjunto de desafios que impede grande parte da população de atingir as doses adequadas:
- Baixa ingestão de peixes gordurosos, especialmente em locais afastados do litoral;
- Diferenças nas diretrizes nutricionais entre países, que geram confusão;
- Acesso limitado à suplementação em regiões de baixa renda;
- Preocupações ambientais e dúvidas sobre sustentabilidade da pesca.
Para o professor Philip Calder, da University of Southampton, o que se sabe com clareza é que o consumo global está muito abaixo das recomendações — e isso exige atenção urgente de governos e profissionais de saúde.
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Por que o ômega-3 é tão importante?
O relatório destaca evidências robustas sobre o papel dos ácidos graxos EPA e DHA na saúde humana. Eles estão relacionados à:
- redução do risco de parto prematuro;
- menor chance de desenvolvimento de depressão;
- proteção contra declínio cognitivo e Alzheimer;
- suporte geral ao funcionamento cerebral e cardiovascular.
A diretora científica da Holland & Barrett, Abbie Cawood, ressalta que “os benefícios desses ácidos graxos são importantes demais para serem ignorados” e lembra que, em muitos casos, é difícil atingir as doses recomendadas apenas pela alimentação.
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Quanto deveríamos consumir?
Embora as orientações variem entre países, a recomendação mais comum identificada pelo estudo é:
- 250 mg diários de EPA + DHA para adultos;
- 100 a 200 mg extras de DHA para gestantes.
Essas doses podem ser alcançadas por meio do consumo regular de peixes gordurosos, como salmão e cavala, ou pela suplementação quando indicada por profissionais de saúde.
Próximos passos: políticas públicas e acesso
O estudo tem como objetivo orientar a criação de novas políticas de saúde, principalmente em regiões onde as diretrizes ainda são dispersas ou inexistentes, como América Latina e partes da Ásia. A ideia é oferecer bases para que governos e instituições estabeleçam recomendações claras e acessíveis à população.
Os autores também esperam que os resultados ajudem a indústria de alimentos e suplementos a desenvolver produtos capazes de suprir a demanda crescente por fontes confiáveis de ômega-3.
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