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quarta-feira, setembro 16, 2026

Atriz digital Tilly Norwood reacende debate sobre IA e ameaça ao trabalho humano

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A aparição de um vídeo curto da atriz virtual Tilly Norwood, criada pela startup britânica Particle6, bastou para transformar a personagem em um dos assuntos mais comentados das redes sociais nos últimos dias. Assim que Eline van der Velden, fundadora da empresa, publicou a demonstração em seu perfil, a reação do público foi imediata — e dividida.

Comentários que acompanhavam o vídeo expressavam tanto curiosidade quanto incômodo, especialmente entre usuários que enxergam em Norwood um risco direto ao trabalho de atores reais. “Me diga o que você realmente pensa”, escreveu Van der Velden ao se deparar com mensagens que acusavam a criação digital de roubar empregos.

O receio não é isolado. Pesquisas recentes mostram um clima de tensão no mercado de trabalho. Segundo um levantamento citado pela empresária, 71% dos americanos acreditam que a inteligência artificial deve reduzir vagas ocupadas por pessoas. O Pew Research já apontava, no ano passado, que mais da metade dos entrevistados espera um cenário com menos oportunidades conforme a tecnologia avança.

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O caso de Tilly Norwood não é o único a gerar incômodo. O artista country “Breaking Rust”, também inteiramente gerado por IA, alcançou o topo da Billboard com uma faixa lançada há poucas semanas — e recebeu uma enxurrada de críticas, de piadas sobre “Skynet” ao argumento de que a música carece de alma. A polêmica só aumentou quando atores profissionais começaram a comentar sobre o avanço dessas personas digitais.

Van der Velden admite ter se surpreendido com a intensidade da repercussão. “Houve muitas respostas positivas, mas também negativas. Para alguns, a IA é assustadora — a maioria das pessoas sabe muito pouco sobre ela no momento — e todos nós ficaríamos preocupados, é claro, se achássemos que ela está tirando nosso emprego”, disse à reportagem.

A executiva lembra que Norwood já havia sido apresentada de forma discreta no Reino Unido antes de chamar atenção de Hollywood. Segundo ela, a qualidade visual e o nível de realismo da personagem — resultado de meses de trabalho — contribuíram para a viralização. “Tilly parece tão real, um personagem premium em comparação com qualquer um que veio antes”, afirma.

Durante sua participação no Web Summit, Van der Velden defendeu que personagens de IA e produções humanas podem coexistir, comparando o uso dessas tecnologias ao CGI e à animação, amplamente aceitos no cinema. Na apresentação, Tilly Norwood apareceu em vídeo e mencionou a criadora de forma casual, reforçando a sensação de presença da personagem.

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Mesmo assim, a pergunta que ecoou entre usuários — e que guiou parte da discussão — foi direta: uma atriz artificial pode ter alma? A CEO da Particle6 respondeu com franqueza. “A IA é uma ferramenta operada por humanos — e nós temos alma. Tilly Norwood tem uma equipe de 15 pessoas por trás dela, liderada por mim, e levou mais de seis meses para ser criada… Estamos trabalhando nos bastidores na criação de seu cérebro e na construção de toda a sua persona, usando limites éticos”, explicou. Para ela, embora a tecnologia em si não tenha uma essência, seus resultados “podem ter algo parecido com uma alma”.

A discussão, porém, vai além da filosofia. À medida que modelos de IA se tornam mais sofisticados e acessíveis, cresce a pressão por definir limites, regras de transparência e o papel dessas criações no mercado de entretenimento.

Para Van der Velden, a reação ao realismo de Tilly abre uma oportunidade para essa conversa ganhar maturidade. A personagem, diz ela, apenas tornou visível um debate que já estava latente: como equilibrar avanço tecnológico, ética e proteção profissional em uma indústria que muda rápido demais.

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