O papamóvel utilizado pelo papa Francisco durante sua visita à Terra Santa em 2014 ganhou uma nova missão: transformado em clínica móvel, ele deve ser enviado à Faixa de Gaza para atender crianças em meio ao colapso do sistema de saúde local. O veículo, agora chamado “Veículo da Esperança”, foi apresentado oficialmente nesta terça-feira (25), em Belém, na Cisjordânia ocupada.
A cerimônia contou com a bênção do cardeal Anders Arborelius, bispo de Estocolmo, que destacou o simbolismo da iniciativa. “Queremos que cada criança se sinta vista, ouvida e protegida. Este veículo é uma mensagem de compaixão, dignidade e esperança”, afirmou.
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Mantendo o visual característico — carroceria branca e cabine elevada —, o papamóvel foi adaptado pela Caritas para oferecer exames, diagnósticos e procedimentos básicos, como vacinas, suturas e testes de infecção. A unidade pode realizar até 200 atendimentos diários. As laterais foram fechadas com painéis e o interior redesenhado para acomodar equipamentos médicos.
Apesar de pronto para operar, o veículo ainda depende de autorização israelense para entrar em Gaza. Segundo Alistair Dutton, secretário-geral da Caritas, a entidade trabalha “pelos canais oficiais” para agilizar o processo.
A transformação do papamóvel atende ao último desejo de Francisco, revelado após sua morte, em abril deste ano. O veículo havia sido um presente do presidente palestino Mahmud Abbas e, depois da visita papal, passou às mãos dos franciscanos da região.
A conversão custou cerca de US$ 15 mil (aproximadamente R$ 619 mil) e contou com a colaboração de mecânicos palestinos. Para Peter Brune, secretário-geral da Caritas Suécia, “as crianças de Gaza estavam muito próximas do coração do papa Francisco. Elas se sentarão no assento do papa e serão tratadas como as pessoas mais valiosas da Terra”.
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O envio da clínica ocorre em um contexto ainda crítico na região. Mesmo sob uma trégua vigente desde outubro, a UNICEF contabiliza ao menos 67 crianças mortas em Gaza. Israel mantém presença militar no território e afirma que suas ações miram militantes considerados ameaça às tropas.
O papa Francisco acompanhou de perto a situação na Faixa de Gaza durante os conflitos recentes, descrevendo a crise humanitária como “vergonhosa” e defendendo a libertação de reféns sequestrados pelo Hamas. Ele também manteve contato frequente com cristãos locais, reforçando seu vínculo com a comunidade da Terra Santa.
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