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quarta-feira, setembro 16, 2026

Fundos patrimoniais alcançam R$ 139 bilhões e buscam regras que estimulem novas doações

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Os fundos patrimoniais — estruturas permanentes criadas para garantir recursos estáveis a causas de longo prazo — vivem um momento de forte expansão no país. Segundo o Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais do Idis (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), publicado no fim de outubro, o volume sob gestão chegou a R$ 139 bilhões em 2025, oito vezes mais do que o mapeado há quatro anos, quando somavam R$ 12 bilhões. No mesmo período, o número de fundos mais que dobrou, passando de 40 para 92.

O crescimento é acompanhado de maior profissionalização e transparência, mas o setor segue enfrentando entraves — especialmente a ausência de estímulos tributários que poderiam impulsionar doações e acelerar o amadurecimento do modelo, segundo especialistas consultados pela Forbes.

A lógica dos fundos patrimoniais, também chamados de endowments, é proteger o capital doado e utilizar apenas os rendimentos para apoiar iniciativas perenes. Como os recursos, após a doação, passam a ser propriedade das instituições beneficiárias, esses fundos não são regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável pela supervisão de recursos de terceiros.

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De acordo com Andrea Hanai, especialista em endowments do Idis, muitos desses fundos têm origem centenária, ligados a legados familiares tradicionais, como os de Amador Aguiar (Bradesco), Família Setúbal e Família Moreira Salles (Itaú-Unibanco). O tema ganhou tração após a lei 13.800, de 2019, que estabeleceu diretrizes claras para o modelo no Brasil.

O mapeamento aponta que 43 dos 92 fundos existentes foram criados após a lei — a maioria com patrimônio de até R$ 100 milhões. Embora representem um avanço relevante, os números brasileiros ainda são incipientes diante do cenário internacional, sobretudo dos Estados Unidos, onde endowments chegam à casa dos trilhões de dólares.

Para especialistas, há espaço amplo para expansão. O país conta com cerca de 800 mil organizações sem fins lucrativos, das quais pelo menos 200 mil poderiam se beneficiar desse tipo de estrutura. A falta de conhecimento e de planejamento de longo prazo, porém, ainda limita sua adoção. “A ideia de fundo patrimonial está diretamente ligada à sustentabilidade, a usar recursos de hoje sem comprometer as próximas gerações”, afirma Andrea.

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Mariana Oiticica, sócia responsável pela área de responsabilidade social do BTG Pactual, observa que a natureza de longo prazo desses fundos é o que sustenta sua relevância. “O propósito do endowment é existir no longuíssimo prazo”, diz. Já para os doadores, segundo Andrea, a motivação passa pela continuidade e pelo legado: “É a marca dos seus valores e da vontade de melhorar o mundo”.

Apesar do avanço expressivo, o setor encara a necessidade de ajustes regulatórios e tributários que criem um ambiente mais favorável às doações. Especialistas defendem incentivos que permitam canalizar mais capital privado para iniciativas sociais de impacto.

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